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Pandemia e a crise na saúde pública

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A pandemia deixa sinais claros que teremos um longo período pela frente. Países que já tinham entrado na curva de declínio voltam a subir, deixando claro que o isolamento social se faz necessário ainda.

Cada dia estamos mais perto das consequências do covid-19, e para os que não acreditavam, as mortes se aproximam mostrando que realmente estamos passando por uma pandemia.

As populações mais pobres, em especial os negros e indígenas, estão sofrendo as consequências da incapacidade do Estado administrar a saúde pública.

Nesse momento utilizaremos como marco inicial a chegada do século XX, ou seja, 1900. Naquela época, inicia-se no Brasil a implantação da administração científica, utilizando estudos estatísticos como instrumento para entender os fenômenos sociais. O Brasil era República há apenas 11 anos e já sofria as consequências do descaso com a saúde pública.

Inicia-se o século XX com epidemias de doenças transmissíveis, em particular febre amarela e malária, causando milhares de mortes nas cidades e em territórios periféricos. Já naquela época, ficou claro os prejuízos causados na expansão do capitalismo. Um olhar mais restrito nos mostrava que estávamos já em uma crise entre capitalismo e saúde pública. Nada muito diferente do que estamos vivenciando no século XXI, no ano de 2020. A chegada do covid-19 causou uma pandemia mundial nunca imaginada por essa geração. E, novamente entramos em choque entre o capitalismo e a saúde pública.

Naquela época a solução foi através do incentivo público às pesquisas biomédicas e principalmente aos estudos sobre doenças tropicais. Nesse momento surge as Campanhas Sanitárias com o total sucesso reconhecido por articular o conhecimento científico, a competência técnica e a organização do processo de trabalho em saúde. Estamos entrando no início do século XX.

Em 1902 um dos sanitaristas mais importantes do século passado, Oswaldo Cruz, passa a contribuir com seus conhecimentos no controle da febre amarela em todo o território brasileiro. Uma época que o acesso à informação era altamente restrito pelas condições precárias do início da República.

Já em 1908 uma epidemia de varíola fez com que a população em massa procurasse o socorro nos postos de vacinação. A comunidade cientifica da época não possuía os recursos atuais no combate a epidemias constantes que assolava o território brasileiro, principalmente por doenças tropicais que estavam em estágios iniciais de estudos.

E o século XX segue seu curso, encontrando em suas décadas seguintes crises sanitárias e econômicas. Já naquela época, uma crise econômica como a quebra da bolsa de valores americana ocorrida em 1929 causou falências e estragos imensuráveis em todo o mundo.

Com um olhar mais meticuloso, podemos observar que ali já ficava bem claro a fragilidade da economia e do sistema capitalista. Chegamos ao século XXI com esperanças de um mundo melhor e no ano de 2020 percebemos a fragilidade da vida e da economia. Nos próximos anos teremos que repensar nossas relações, comportamentos e consumo. Estamos vivenciando um confronto direto entre dois valores diferentes. O que é mais importante: A saúde pública ou a economia? Como viveremos após a covid 19?

Somente o tempo irá nos mostrar os impactos de uma crise sanitária e quanto o Estado está preparado para lidar com situações que poderão se tornar corriqueiras nas próximas décadas.

 

Graciandre Pereira Pinto

 -  Advogada OAB/ES 11838

Pós-graduada em  Direito Civil e Processual

graciandrepp@gmail.com 

(28) 9 9922-6353  - Venda Nova/ES

 

Caio Pereira Pinto Delpupo

 -  Advogado Criminalista

OAB/ES 33.494

Pós-graduando em Processo Penal

caiodelpupoadv@gmail.com 

(28) 9 9938-6301 - Venda Nova/ES

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