
47ª Festa da Polenta – Memorial “A Costura”, onde as mãos tecem memórias
Inspirado pelo tema central da Festa da Polenta 2025, “La Nostra História”, o Memorial “A Costura” celebrou um capítulo essencial, mas muitas vezes invisível, dessa tradição: o trabalho silencioso e dedicado de quem costura, borda e cria as vestes que ajudam a contar a história de uma comunidade
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Foi a terceira vez que a Festa da Polenta incluiu um memorial em sua programação. O primeiro homenageou o centenário de nascimento do padre Cleto Caliman; o segundo, os 45 anos da Festa; e agora, o foco foi “A Costura”, elemento vital para a identidade visual e simbólica do evento.
Assim como nas edições anteriores, a concepção e montagem do memorial ficaram a cargo de Emílio Caliman, que desta vez mergulhou no universo dos tecidos e das linhas para revelar os bastidores das vestes típicas. A proposta foi dar visibilidade às mãos que costuram, às histórias que se entrelaçam com cada ponto e às transformações que o tempo traz.
O fio da história
O memorial foi dividido em três núcleos principais, cada um com um olhar delicado sobre a costura enquanto manifestação cultural.
No primeiro, dedicado aos vestidos e desfiles, estavam expostas fotos de todas as rainhas da Festa da Polenta desde 1991, além de vestidos icônicos de rainhas, princesas e candidatas, sendo alguns históricos, outros mais recentes. Réplicas das primeiras coroas, originalmente feitas com flores naturais, também estavam presentes, desta vez confeccionadas com flores artificiais. Foi possível observar a evolução do design, da modelagem e da costura ao longo das décadas. Um destaque à parte foi o reconhecimento das costureiras de Venda Nova, que, com talento e sensibilidade, deram forma ao sonho de tantas jovens.
No segundo núcleo, um espaço afetivo: o “Cantinho de Costura da Nonna”. Com uma máquina de costura antiga, ferro a brasa, mesa de passar e utensílios do cotidiano de outrora, o ambiente evocava o calor da memória familiar. Máquinas de diferentes épocas também estavam em exposição, simbolizando a tradição e a transformação desse ofício tão presente na história das famílias italianas.
O terceiro núcleo foi reservado aos trabalhos artesanais da Associação das Voluntárias Pró-Hospital Padre Máximo. Peças feitas com amor e propósito compuseram uma ala sensível do Memorial, destacando o papel da costura também como ferramenta de cuidado e solidariedade.
Bastidores, histórias e propósito
A montagem envolveu muitos voluntários: alguns emprestaram objetos pessoais, outros auxiliaram na estruturação e no funcionamento diário do espaço. Entre os nomes que merecem destaque estão Doracy Ambrosim, presidente das Voluntárias, que organizou todas as peças produzidas pela entidade, e Kátia Matos, responsável pelo resgate histórico dos vestidos e por diversas contribuições.
A ideia inicial da diretoria da Afepol era montar uma mostra com os vestidos das rainhas, acompanhando a celebração dos 34 anos de desfiles. Emílio, no entanto, propôs um olhar mais profundo. “Se vamos falar dos vestidos, precisamos falar também daquilo que os tornou possíveis: a costura”, afirmou. “A ideia de trazer o universo da costura como fio condutor foi para valorizar também as mãos e as histórias que os criaram, abrindo espaço para os demais capítulos que compõem esse tema tão presente na nossa cultura”.
Emoção em cada ponto
A visita ao Memorial “A Costura” foi, para muitos, uma verdadeira viagem no tempo. As crianças se encantaram com os objetos e descobriram um mundo novo entre carretéis e rendas. Os adultos, por sua vez, se deixaram tocar pela memória afetiva, reconhecendo ali pedaços da própria história. A surpresa era comum: muitos não esperavam encontrar tanta beleza, simbolismo e emoção em meio ao ambiente festivo da Festa.
O Memorial funcionou durante todos os dias da Festa, inclusive à noite, até o início dos shows nacionais. Na quinta e sexta-feira da programação central, o espaço foi aberto exclusivamente para visitas escolares, um gesto de valorização da cultura local e de educação patrimonial para os jovens.
Montado no mesmo espaço coberto e fechado das edições anteriores, o ambiente garantiu proteção às peças, conforto aos visitantes e acessibilidade por meio de rampas, um cuidado que reforça o caráter inclusivo da proposta. A repetição do local ajudou a consolidar o espaço como referência dentro da Festa, já esperado por muitos.
Foram centenas de visitantes ao longo dos dias, com momentos de fila e outros de maior tranquilidade. O layout do espaço foi pensado para proporcionar um fluxo fluido, permitindo que todos pudessem apreciar os detalhes sem pressa.
Para Emílio, o mais bonito foi perceber como cada visitante vivenciou o Memorial de forma única: “Cada pessoa viveu uma experiência própria, levando consigo um pouco da memória e da emoção que o Memorial desperta. Essa é, afinal, a essência da cultura: criar conexões, gerar emoção e perpetuar a história”.
Voluntárias expõem e vendem artesanato
A participação da Associação das Voluntárias Pró-Hospital Padre Máximo no Memorial da Costura, que inicialmente seria apenas expositiva, acabou se transformando em uma verdadeira vitrine de vendas do artesanato produzido pelo grupo.
Segundo a presidente da Associação, Doracy Ambrosim, mais conhecida como Dora, a proposta inicial da curadoria era selecionar peças artesanais maiores, como colchas de retalhos em patchwork e de fuxico, para realizar um leilão virtual. No entanto, como essa modalidade de venda não evoluiu e o público demonstrou interesse pela compra direta, as voluntárias decidiram aproveitar a oportunidade.
“Além das colchas, levamos jogos de toalhas e lençóis, e acabamos incluindo também peças de artesanato para decoração, como os tradicionais puxa-sacos. O critério foi escolher os itens mais bonitos para representar nosso trabalho, como as almofadas de fuxico e os banquinhos decorados”, conta Dora.
Diante da receptividade e da demanda, no segundo final de semana da Festa, as voluntárias se reorganizaram e ampliaram o leque de produtos disponíveis. Como o espaço da Casa da Nonna comportava apenas peças menores, foi no Memorial que elas puderam expor e vender itens de maior volume.
“Tanto na Casa da Nonna quanto no Memorial, colocamos também o livro 'Colcha de Retalhos – 45 anos das Voluntárias Pró-Hospital Padre Máximo', lançado no ano passado. As pessoas ficaram muito curiosas”, relata Dora.
As vendas no Memorial foram realizadas de forma simplificada, com uso de QR Code para pagamentos. “Quando a compra era maior ou precisava ser feita no cartão, a gente levava até a Casa da Nonna”, explica.
Dora conta ainda que a Associação elaborou um relatório com os resultados dos dois pontos de venda e repassou à Afepol a porcentagem previamente acordada. “Foi uma experiência muito bacana. A divulgação dos nossos produtos dentro da Festa da Polenta fez com que mais pessoas conhecessem o nosso trabalho. Inclusive, algumas pessoas procuraram nossa lojinha e foram visitar a sede da Associação já na semana seguinte à Festa”, comemora.






