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Panturrilhas: por que treiná-las?

Panturrilhas: por que treiná-las?

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Quem me acompanha aqui sabe que sempre destaco a importância do exercício físico como ferramenta promotora de saúde. E quando se fala em envelhecer bem, já destaquei a importância do coração, do cérebro, de uma boa alimentação, de um sono de qualidade e da manutenção da massa muscular. Hoje, destacarei uma estrutura que é decisiva na circulação sanguínea e como ela pode ajudar a proteger o cérebro. Estou me referindo à panturrilha, conhecida popularmente como “batata da perna”.

A panturrilha é o local onde está o músculo tríceps sural (conjunto de três músculos: o sóleo e os gastrocnêmios), que funciona como nosso “segundo coração”. Isso porque esses músculos atuam como uma bomba, auxiliando no retorno do sangue ao coração.

Quando ficamos muito tempo sentados ou quando perdemos força nas pernas com a idade, essa bomba trabalha menos. O resultado pode aparecer como inchaço, sensação de peso, piora na circulação e menor disposição para se movimentar. Segundo a Mayo Clinic Proceedings, a função reduzida da bomba muscular da panturrilha está diretamente associada a uma maior mortalidade por todas as causas.

Mas a importância das panturrilhas vai além disso. Panturrilhas fortes são sinônimo de segurança e autonomia, pois produzem mais estabilidade no tornozelo e são utilizadas em diversas atividades cotidianas, como levantar da cadeira, subir escadas, caminhar com segurança, atravessar a rua no tempo do semáforo ou evitar uma queda. São estruturas essenciais no equilíbrio corporal. Uma pessoa que perde força na panturrilha tende a caminhar mais devagar, cansar mais cedo e reduzir sua vida fora de casa. E, quando a pessoa sai menos, também perde convívio social, estímulo cognitivo e independência.

É aqui que o tema chega ao cérebro. Não devemos dizer que uma panturrilha forte, isoladamente, “previne a demência”. A ciência não funciona assim. Mas ela entra nesse círculo em que uma coisa vai puxando a outra: mais músculo, melhor circulação, mais capacidade de andar, mais exercício, menor risco de quedas, mais vida social e mais reserva física. Há pesquisas que aproximam de forma ainda mais direta a panturrilha da saúde cognitiva. Um estudo com idosos que vivem na mesma comunidade, publicado na Scientific Reports, avaliou a circunferência da panturrilha como uma ferramenta simples de triagem para a fragilidade cognitiva. A medida não é perfeita, pois pode sofrer influência de edema, gordura e biotipo, mas ajuda a contar uma história: quando a perna perde músculo, muitas vezes o corpo inteiro está perdendo funcionalidade.

Mas, quando se trata do nosso corpo e de suas adaptações, o final é quase sempre feliz. O fato é que a panturrilha responde bem ao treino e ao uso diário. Caminhar já ajuda, principalmente quando há ritmo e regularidade. Subir escadas, andar em terrenos levemente inclinados, fazer elevações de calcanhar em pé, treinar o equilíbrio e fortalecer as pernas duas ou três vezes por semana são atitudes simples e seguras para grande parte das pessoas. Para quem tem dor, histórico vascular importante, diabetes com neuropatia ou risco de queda, vale a pena buscar orientação profissional.

Cuidar das panturrilhas é cuidar de uma bomba circulatória, de uma alavanca de locomoção e de um marcador de reserva muscular. Elas nos colocam de pé, nos empurram para a frente e ajudam a manter a circulação ativa. Talvez a grande lição seja que envelhecer com saúde não depende apenas de grandes exames ou tecnologias. Depende também de preservar a capacidade de caminhar, subir, equilibrar-se e continuar participando da vida.

 

Dudu Altoé

Personal Trainer

CREF.: 002126-G/ES

Especialista em treinamento físico para grupos especiais

 

 

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