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Cafeteria Luna Lab: quando a gastronomia vira encontro, sensibilidade e afeto

Cafeteria Luna Lab: quando a gastronomia vira encontro, sensibilidade e afeto

À frente empreendimento, em Venda Nova, Sofia Jareski Tuma imprime sua força feminina, sensibilidade e conhecimento técnico em uma experiência sensorial que une cafés especiais, memória cultural e o acolhimento como valor central da gastronomia

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Dar uma passadinha na Cafeteria Luna Lab, em Venda Nova, é mais do que tomar um café: é vivenciar uma experiência sensorial que conversa diretamente com a identidade das Montanhas do Espírito Santo, região reconhecida pela produção de cafés especiais. O aroma que se espalha pelo ambiente, as cores da vitrine, o cuidado nos detalhes e o ritmo tranquilo convidam à pausa: seja para um coado, um expresso ou um café gelado, sempre acompanhado de boas conversas e de delícias preparadas com atenção quase artesanal.

À frente da Luna Lab está Sofia Jareski Tuma, gastrônoma que imprime no espaço sua trajetória, seu repertório técnico e, sobretudo, sua sensibilidade. O café é fruto da vivência gastronômica construída por ela e pelo marido, Décio Cardoso. Atualmente, Sofia se dedica integralmente à Luna Lab, enquanto Décio atua mais diretamente na Casa Chef Ari, em Pedra Azul, permitindo que cada projeto prossiga com identidade própria. Décio, que continua sócio, foi barista durante dois anos na Luna Lab e assina o cardápio de cafés.

“A Luna Lab é um projeto muito ligado à minha trajetória na gastronomia. Depois de várias experiências, senti vontade de desenvolver algo que tivesse a ver com a minha essência”, conta Sofia. Essa essência se revela na proposta da casa: uma cafeteria sem cardápio fixo, pensada como espaço de experimentação. Da mesa, o cliente observa Sofia na cozinha, envolvida nos preparos, reforçando a transparência e a conexão entre quem cria e quem consome.

A vitrine é um convite visual: bolos, tortas, cookies, muffins e pães aparecem em pedaços generosos, vendidos individualmente. Croissants e focaccias podem ser apreciados em sua forma mais pura ou transformados em sanduíches que equilibram técnica, sabor e criatividade. Tudo é pensado para despertar o olhar, o olfato e, claro, o paladar.

Para construir esse repertório, Sofia bebe em muitas fontes. Pesquisa culturas gastronômicas diversas e adapta referências internacionais à realidade brasileira. “Gosto muito da confeitaria asiática, dos pães do Oriente Médio… Estou sempre pesquisando”, explica. Entre as inspirações estão a babka, pão doce de origem judaica; a focaccia italiana; o croissant francês; e a cuca, de raízes alemãs. O toque brasileiro aparece em ingredientes afetivos, como o doce de leite mineiro, criando pontes entre culturas e sabores. “São referências de outros países adaptadas ao nosso paladar e à nossa cultura”.

Um dos destaques da Luna Lab é o sanduíche com a focaccia, que se chama “Italiano” e é recheado com salame italiano, queijo cremoso, tomate confitado e manjericão. O outro é o feito com ciabatta, que leva creme de ricota, pastrami, rúcula e mostarda Dijon. O pastrami, uma especialidade da casa, é um embutido de carne bovina de origem no Oriente Médio, preparado pela própria Sofia. A cozinha também valoriza a agricultura familiar da região, incorporando ingredientes como morango e limão-siciliano. “A matéria-prima representa pelo menos 50% da qualidade final. Trabalhamos apenas com produtos de excelência e de origem conhecida”, reforça.

O cuidado com o território se estende ao café. Uma parceria com o Café Zandonadi, da comunidade de Bela Aurora, em Venda Nova, garante o drip coffee, que compõe as caixas de café da manhã. No balcão, o cliente pode pedir pelos coados no V60, expressos ou cappuccinos, todos preparados com atenção aos detalhes e respeito à bebida. Todo o café usado diariamente na Luna Lab é fornecido pelo torrador e Q-grader Felipe Estevão, da empresa ID Coffee Lab. “Ele seleciona e torra um café especial de produtor local que esteja dentro do perfil que pedimos para a loja, com notas de chocolate e caramelo”, explica Sofia.

Mais do que servir comida e café, a Luna Lab se propõe a ser um lugar de encontros. Sofia recebe cada pessoa com escuta atenta e generosidade. Explica os ingredientes, conta as histórias por trás das receitas e sugere combinações de acordo com o gosto de quem chega. A hospitalidade é parte fundamental da experiência e reflete valores tradicionalmente associados ao cuidado feminino, aqui elevados à potência da gastronomia contemporânea.

Atenta aos novos hábitos de consumo, a cafeteria se prepara para implementar o serviço de delivery, com quase todo o cardápio disponível, exceto os bolos de aniversário, que exigem retirada na loja. O funcionamento é de quarta a domingo, das 11h às 21h, mantendo o ritmo acolhedor que já virou marca da casa.

 

Uma trajetória que se transforma em sabor

O endereço charmoso e a decoração descolada, ao mesmo tempo aconchegante, refletem o sonho realizado por Sofia. Quem entra na Luna Lab e é recebido por seu sorriso dificilmente imagina a trajetória dessa mulher nascida em Goiânia, criada em Vitória e com passagem por Curitiba.

Ainda bebê, mudou-se para Vitória, onde estudou em colégios tradicionais, como no Sagrado Coração de Maria e no Leonardo da Vinci. Aos 15 anos, foi morar em Curitiba com a mãe e iniciou o curso de direito. No meio da faculdade, começou a fazer cupcakes em casa e ali percebeu que seu verdadeiro interesse estava na confeitaria.

Aos 22 anos, após a perda da mãe, Sofia decidiu retornar ao Espírito Santo para ficar próxima do pai. “No meu luto, percebi que precisava me dedicar ao que eu mais gostava de fazer”, relembra. A decisão a levou ao curso de gastronomia, na Faculdade de Vila Velha, onde se formou em 2017.

Sua trajetória profissional seguiu em cozinhas onde o aprendizado era diário. Trabalhando em um restaurante que tinha o chef Ari Cardoso como sócio, conheceu Décio Cardoso, filho de Ari, hoje seu marido e parceiro de vida. O casal viveu ainda uma experiência internacional de seis meses nos Estados Unidos, onde Sofia atuou na área da confeitaria, ampliando seu repertório técnico e cultural.

De volta ao Brasil, escolheram as Montanhas Capixabas como lugar para viver e empreender. Foi ali que nasceu a Luna Lab Café, inicialmente em Pedra Azul. Desde 2019, com Décio à frente da Casa Chef Ari (um dos empreendimentos de seu sogro), Sofia segue conduzindo a Luna Lab, desde 2023, com apoio do marido, mantendo viva a proposta de um espaço onde gastronomia, sensibilidade feminina, conhecimento técnico e afeto caminham juntos.

Na Luna Lab Café, cada detalhe comunica uma escolha consciente. É um lugar onde o sabor carrega história, o café tem origem e a experiência vai além do prato, reafirmando que, quando a mulher ocupa a cozinha como espaço de criação, gestão e expressão, a gastronomia se transforma em linguagem, encontro e identidade.

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