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Rio Branco inaugura loja oficial e fortalece identidade do futebol do interior capixaba

Rio Branco inaugura loja oficial e fortalece identidade do futebol do interior capixaba

Primeira loja oficial do Rio Branco Futebol Clube nasce como estratégia de fortalecimento da marca, geração de pertencimento e valorização de uma história construída com paixão, conquistas e visão de futuro

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O Rio Branco Futebol Clube, de Venda Nova do Imigrante, deu um passo histórico ao inaugurar sua loja oficial de marca própria. Mais do que um ponto de venda, o espaço simboliza um novo momento do Clube: de profissionalização, fortalecimento institucional e aproximação ainda maior com a torcida. A iniciativa coloca o Rio Branco em posição de destaque no cenário esportivo capixaba, sendo a primeira loja oficial de um clube de futebol do Espírito Santo.

Segundo o presidente Breno Caliman, a criação da loja faz parte de um planejamento estratégico iniciado com a atual gestão. “Desde quando assumimos, em novembro de 2023, tínhamos como prioridade fortalecer a marca do Clube. Entendemos que marcas fortes atraem patrocinadores fortes, e esse sempre será o nosso objetivo”, afirma. Para ele, a loja oficial confere ao Rio Branco um status diferenciado entre os clubes do Estado e reafirma o protagonismo de Venda Nova. “Sempre ouvimos que Venda Nova está à frente do tempo. Com o clube da cidade, não poderia ser diferente”.

A ideia da loja não surgiu em um momento isolado, mas como fruto de uma diretoria alinhada e determinada a fazer história. Breno destaca o empenho coletivo como fator decisivo para que o projeto se tornasse realidade. “Fazer futebol profissional no interior não é fácil. Essa loja é resultado de muito trabalho, união e visão de futuro”. Ele também faz questão de agradecer aos arquitetos que contribuíram voluntariamente para o projeto, além dos torcedores, que agora contam com um espaço que “vende lembranças, histórias e muita emoção”.

Mais do que comercializar produtos, a loja oficial foi pensada para despertar orgulho e pertencimento. “O Rio Branco não é de um presidente ou de uma diretoria. Ele é de todos. A loja foi criada para externar o orgulho de sermos torcedores de um Clube com tanta história em nossa cidade”, resume Breno.

No espaço, os torcedores encontram uma ampla linha de produtos que fazem alusão ao Clube: uniformes oficiais e comemorativos, camisas casuais, além de diversos itens de presente, como toalhas, chaveiros, canecas, copos, gorros e bonés. Entre os produtos mais procurados estão, sem surpresa, os uniformes oficiais. A diretoria, no entanto, aposta na constante renovação. “A ideia é sempre inovar, lançar camisas comemorativas, como a dos 80 anos do clube e a edição Rosa Feminina 2026”, destaca o presidente.

A loja funciona em horário comercial, de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas, e aos sábados, das 9 às 12 horas. Em dias de jogos, o atendimento também é garantido, reforçando o papel do espaço como ponto de encontro da torcida.

 

Homenagem a Olímpio Perim

O nome da loja presta homenagem a Olímpio Perim, figura fundamental na história do Rio Branco. A decisão nasceu durante o processo de modernização da fachada do estádio. “Sabíamos que aquela era a nossa porta de entrada e que estava muito envelhecida. Conversamos com os filhos de Olímpio Perim, apresentamos o projeto e fizemos questão de destacar o nome dele como uma justa homenagem a tudo que fez pelo Clube”, conta Breno. Sensibilizada, a família decidiu custear integralmente a reforma da fachada. “Sou muito grato a cada um deles por essa ajuda primordial”.

 

Oito décadas de futebol: conquistas e novos projetos

Fundado há mais de oito décadas, o Rio Branco completou 80 anos em 2025, soma mais de 10 anos no futebol profissional e tem no currículo o título de Campeão Estadual de 2020. Em 2025, o Clube também conquistou um feito inédito: a primeira vitória na Copa do Brasil, derrotando o Amazonas Futebol Clube, então participante da Série B do Campeonato Brasileiro.

Breno Caliman está em seu segundo mandato à frente do Clube. Ele assumiu a presidência em novembro de 2023, para um mandato de dois anos, e foi reeleito em dezembro de 2025 para mais três anos de gestão.

Ao fazer um balanço da administração, o presidente destaca com orgulho as 24 obras realizadas em 24 meses do primeiro mandato. Entre elas estão a modernização completa da iluminação do estádio com tecnologia LED, reforma dos vestiários, construção de sala de fisioterapia, lavanderia, refeitório, alojamentos, troca total do gramado, implantação de sistema de irrigação automatizada, novos bancos de reserva, criação do mascote oficial e, agora, a loja oficial do Clube.

O olhar da diretoria, porém, segue voltado para o futuro. Um dos principais projetos em andamento é a criação do maior programa social ligado ao futebol do Espírito Santo, em parceria com a Prefeitura, a Câmara de Vereadores e o Sicoob. A proposta prevê a implantação de núcleos gratuitos de futebol nas comunidades de Venda Nova, com aulas semanais, orientação técnica, apoio nutricional, pedagógico e social. “Esse é o nosso maior sonho no momento. Estou muito confiante de que vamos conseguir”, afirma Breno.

Além disso, estão nos planos a construção de camarotes no estádio, a reforma da cabine de imprensa e um cuidado ainda maior com as categorias de base. “Temos muitos desafios, mas também muita vontade de seguir construindo um legado”, conclui.

 

Apoio do Sicoob Sul-Serrano

O Rio Branco foi apoiado por dois  anos consecutivos no Edital Social do Sicoob, sendo 2024 e 2025 através do Projeto da Escolinha de Futebol do Rio Branco.  A implementação do projeto “Futuro em Campo” tem como foco central a promoção de transformações positivas e mensuráveis na vida de cerca de 150 crianças e adolescentes de Venda Nova do Imigrante, com repercussão direta no fortalecimento comunitário, na valorização da prática esportiva como política de inclusão e na projeção do Rio Branco Futebol Clube como agente social atuante.

A Cooperativa garante acesso gratuito a treinos, materiais esportivos e uniformes, promovendo a aproximação do clube com a sociedade local, consolidando o Rio Branco como instituição promotora de bem-estar social, e não apenas como entidade esportiva.

Em 2026, o Sicoob Sul-Serrano patrocinou a equipe profissional do Rio Branco, visando sua participação no Campeonato Capixaba 2026, Copa ES, bem como em demais competições das quais o clube vendanovense venha a participar ao longo do ano de 2026. A marca vem estampada até no uniforme do mascote, o “Polentero”, como patrocinador master.

Para Cleto Venturim, presidente do Sicoob Sul-Serrano, é de conhecimento geral que o investimento no esporte é uma mídia de grande potencial, já que as pessoas, de modo geral, gostam de esporte. Com sede em Venda Nova e atuação relevante em diversas frentes (como a Festa da Polenta, o Hospital, a Apae, a Pastoral da Saúde, entre outras instituições) o Sicoob Sul-Serrano sempre demonstrou sensibilidade às causas importantes para a comunidade, conquistando a simpatia da sociedade ao apoiar o que é relevante. Esse é o caso do Rio Branco.

“O Clube, por estar atualmente na primeira divisão do Campeonato Estadual, possui grande relevância e representa um importante incentivo ao esporte. Quando alcança êxito, como ao chegar à final no ano passado, ganha ainda mais visibilidade. Vivemos um momento de apoiar e reconhecer que várias ações do Clube, como o trabalho com o mascote, geraram mídia espontânea, proporcionando uma exposição de marca que, se fosse adquirida por meio de pagamento, teria um custo muito superior ao investimento feito como incentivo”, avalia Venturim.

O presidente da Cooperativa ressalta que há muitos anos, o Rio Branco mantém a escolinha, responsável pela formação das categorias de base, e o apoio do Sicoob teve início justamente nesse trabalho. “Com o tempo, a parceria evoluiu em função do trabalho sério desenvolvido pelo Clube, que resultou em conquistas importantes, como o vice-campeonato Estadual e, no ano passado, a classificação para a Copa do Brasil”.

Venturim reconhece que todos esses resultados estão alinhados às políticas de patrocínio do Sicoob, que comumente contemplam até a terceira divisão do Campeonato Brasileiro. “Além disso, há um olhar especial para o time mais bem colocado, por ser do interior e estar sediado no mesmo município onde fica a sede da Cooperativa. A atenção do Sicoob se volta especialmente ao trabalho de base, onde a instituição também pretende desenvolver ações de educação financeira”, finaliza.

 

Família de Olímpio Perim agradece homenagem

Somente quem conhece de perto a história dos moradores mais antigos da cidade consegue compreender a paixão que move Venda Nova do Imigrante pelo Rio Branco Futebol Clube. Pode até parecer clichê, mas não é. Fundado em 29 de junho de 1945, em uma época em que a vida social se resumia às rezas e aos jogos de domingo, o Clube segue encantando e mobilizando diferentes gerações.

Nesse contexto, o saudoso Olímpio Perim teve papel fundamental. Apaixonado por esportes, ele não pôde se dedicar à prática esportiva em razão da atrofia de uma perna, sequela da contaminação pelo vírus da poliomielite na infância. Isso, no entanto, não o afastou do meio esportivo. Pelo contrário: sempre esteve próximo dos movimentos ligados ao esporte e, mais do que apoiá-los, atuou como uma verdadeira alavanca para o seu desenvolvimento.

Seu filho, Luiz Feitosa Perim (foto), recorda que o pai, junto com seus companheiros, foi um dos organizadores da sociedade Rio Branco Futebol Clube. “Eles trataram de procurar um terreno para a construção do campo de futebol. Escolheram a área de Pedro Altoé, que era casado com Elvira Perim, irmã de Olímpio, e lançaram cotas para que a comunidade pudesse participar da sociedade. Como não conseguiram vender todas, meu pai adquiriu as restantes, que, mais recentemente, foram doadas e incorporadas ao patrimônio do Clube”, relata.

No ano em que a Revista Folha Nova realizou uma reportagem especial sobre o Clube, foi informado que Olímpio Perim, então diretor, foi o responsável por definir os uniformes. Gil Cola, um dos jogadores da época, recorda que Olímpio escolheu as cores do Vasco para o segundo time e as cores do Fluminense para a equipe principal, por ser torcedor do clube carioca. Luiz confirma essa história e acrescenta: “As cores também coincidem com as da bandeira da Itália, país de origem da maioria dos jogadores”.

Durante muito tempo, os jogos de futebol foram a principal atividade de lazer da comunidade, ao lado dos jogos de bola de pau e de malhas. As partidas atraíam grandes plateias, especialmente nos confrontos contra o time de São João de Viçosa, dirigido por Honório Pizzol, que muitas vezes terminavam em brigas.

Por ser comerciante e manter muitos contatos na região, Olímpio organizava com frequência excursões para a realização de jogos aos domingos. “Lembro-me de partidas em Castelo, São João de Viçosa, Conceição do Castelo, Angá, Taquarussu, Santa Luzia, Marechal Floriano, Campinho (Domingos Martins), Santa Maria do Araguaia, Patrimônio do Ouro, Fruteiras, Castelinho, Afonso Cláudio, Muniz Freire, Iúna, Lambari e Fazenda Guandu”, cita Luiz, ao tentar listar as inúmeras conexões regionais proporcionadas pelo futebol.

“Nos dias dessas excursões, meu pai estacionava sua caminhonete ou caminhão em frente à igreja. Assim, não se perdia tempo: logo após o término da missa, os atletas embarcavam e seguiam para o local da partida. Durante os jogos, não faltavam pais de atletas que gritavam e até ameaçavam o dirigente caso seus filhos se machucassem, pois uma lesão poderia impedi-los de trabalhar na lavoura na segunda-feira. Também era comum que o time visitante levasse o árbitro, e muitas vezes o próprio Olímpio apitava os jogos”, relembra.

Luiz nasceu em 1953 e, em 1964, deixou Venda Nova para estudar, o que o impediu de acompanhar mais de perto as aventuras do pai. “São muitas histórias envolvendo meu pai e outros jogadores, como Zeca Altoé, que ficou órfão muito cedo e costumava frequentar a casa dos meus avós, Brígida e Antônio Roberto Feitosa. Como a casa ficava em frente ao campo de futebol, ele se interessou pelo esporte, tornou-se gandula e, ao crescer, foi convidado por meu pai para integrar o time. Muito talentoso, chegou a ser convidado para jogar no Vasco, mas a família não permitiu”, finaliza.

 

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