
Experiência imersiva na Casa Nostra: história, música e sabores numa viagem sensorial às raízes da imigração italiana em Pindobas
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No coração do primeiro distrito turístico do Espírito Santo, em Pindobas, um espaço expográfico vem emocionando visitantes ao resgatar memórias, sabores e modos de vida dos imigrantes italianos que moldaram a identidade cultural local. Inaugurada em 5 de setembro de 2024, a Casa Nostra, em Venda Nova do Imigrante, já se tornou um ponto imperdível no roteiro das montanhas capixabas. Desde sua abertura, mais de 4.700 visitantes passaram pelo local, atraídos pela proposta de unir conhecimento, afeto e experiência sensorial.
A Casa Nostra oferece duas modalidades de visitação: a visita guiada, com cerca de 30 minutos, e a experiência imersiva, que se estende por aproximadamente 90 minutos. Na visita guiada, o público percorre a exposição e assiste a vídeos que contextualizam a influência da colonização italiana, encerrando o trajeto dentro de uma réplica fiel de uma casa de imigrantes, completa e repleta de detalhes que contam histórias silenciosas.
Na experiência Casa Nostra, o tempo parece voltar algumas décadas. O roteiro da visita guiada é acrescido de uma vivência conduzida pelos “nonnos”, com direito a sanfoneiro, fogão a lenha aceso, muita música, conversa boa e a tradicional preparação da polenta. O ambiente é acolhedor e autêntico: uma mesa farta, risadas, aromas do campo e aquela atmosfera familiar que faz qualquer visitante se sentir parte da história.
Sabores que contam histórias
Durante a experiência, o visitante não apenas prova a culinária típica dos imigrantes, ele a presencia em processo e também pode participar do seu preparo. O cardápio, baseado no que as famílias pioneiras realmente consumiam, inclui polenta servida com queijo e puína, melado de cana, pão caseiro, broa de fubá com açúcar mascavo, biscoito frito inspirado no crostoli e um cafezinho moído e coado na hora.
A vivência continua no terreiro do nonno, onde o público participa de atividades como debulhar milho, secar café e acionar o moinho de pedra para fazer fubá. A experiência termina com música e dança, lembrando os antigos bailes de tulha que animavam a juventude de tempos passados.
Emoção e memória afetiva
Segundo Marco Cortez, responsável por recepcionar os visitantes, a maior parte do público vem de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, buscando compreender e vivenciar as tradições do povo italiano que colonizou a região. Muitas pessoas se emocionam durante as atividades.
“O que mais desperta interesse é a vivência na casa do imigrante: botar a mão na massa, moer café, mexer polenta, debulhar milho… Muitos voltam no tempo e evocam lembranças da infância na casa da avó. É uma experiência imersiva que transporta os visitantes para os costumes que ajudaram a construir a identidade cultural do Espírito Santo”, relata Marco.
Uma equipe que mantém viva a chama da tradição
Parte fundamental desse encanto está na equipe da Casa Nostra. Moradores da comunidade transformam-se, nos fins de semana, em personagens da história: são os “nonnos” e “nonnas”, que cozinham, acolhem e interagem com os visitantes. Sanfoneiros dão o tom musical, tocando tarantelas, canções tradicionais e clássicos como “Bela Polenta” e “Merica Merica”, hino da imigração italiana. Monitores especializados conduzem o público pela exposição e pelas vivências com rigor e sensibilidade.
Esses colaboradores mantêm outros trabalhos durante a semana, mas dedicam o tempo livre ao projeto por paixão. “Eles participam mais pelo prazer de manter viva a chama da imigração do que pelo valor das diárias”, explica Marco.
O funcionamento da cozinha revela outra dimensão da experiência: a despensa consome mensalmente entre 40 e 50 quilos de fubá, grandes quantidades de trigo, quatro a seis litros de melado, cerca de 20 quilos de açúcar mascavo, mais de 100 ovos, 15 quilos de puína e quase 30 quilos de queijo, além de gordura, óleo, fermentos e especiarias como erva-doce e canela. Tudo isso seguindo as receitas registradas no “caderno da nonna”, que fica à disposição para quem deseja fotografar e tentar reproduzir os quitutes em casa.
Pindobas: o primeiro distrito turístico do Espírito Santo
A Casa Nostra integra o Distrito Turístico de Pindobas, o primeiro do estado. O local valoriza o patrimônio histórico, cultural e natural das montanhas capixabas, transformando a herança italiana em uma jornada viva pelos costumes dos primeiros imigrantes. O Distrito abriga também o Polo Sebrae de Turismo de Experiência. A Casa Nostra é o coração do polo, gerida pelo Sebrae em convênio com o Montanhas Capixabas Convention & Visitors Bureau, encarregado da operacionalização.
Dicas e serviço:
Agendamento: pelo telefone (28) 99973-4371.
Recomendação: comprar ingressos antecipadamente pela loja virtual: loja-casanostra.paytour.com.br.
Capacidade: grupos de até 20 pessoas. Comprar na bilheteria pode significar perder o horário.
Visita guiada: todos os dias, das 9 às 17h.
Experiência imersiva: sábados às 15 e 17h; domingos às 11 e 14h.
Grupos fechados: para no mínimo 15 pessoas, a experiência pode ser realizada em qualquer dia e horário.






