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47ª Festa da Polenta – Tombo da Polenta: tradição que vai muito além do espetáculo

47ª Festa da Polenta – Tombo da Polenta: tradição que vai muito além do espetáculo

O preparo do alimento símbolo da Festa da Polenta consumiu quase 4 mil quilos de fubá

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Os números impressionam e comprovam a grandiosidade da operação por trás do “Tombo da Polenta”, espetáculo repetido 16 vezes durante a 47ª edição da Festa. Foram preparados 13 panelões cheios (com volume entre 1.200 e 1.300 quilos) e outros três pela metade, destinados à quinta-feira comunitária e à visita dos estudantes.

Coordenado por Carlos Caliman, o Carlinhos, ao lado de Élio Camata, o Tombo segue como um dos momentos mais esperados da programação. A prova está no público, que se posiciona diante do panelão até três horas antes da virada da polenta.

Na hora do tombo, a multidão se agita: sobem em cadeiras, erguem celulares e fazem qualquer esforço por um bom registro. Dos 13 panelões cheios, sete foram usados para a polenta dura (que posteriormente é fatiada, frita e servida em porções) e os demais para a polenta mole, servida nas cumbucas ou como base do prato típico.

Para cada panelão de polenta dura, são necessários 350 quilos de fubá, 14 a 15 quilos de sal e 1.000 litros de água. Já a polenta cremosa leva 220 quilos de fubá, 12 quilos de sal e 1.100 litros de água. Ao todo, foram utilizados 3.970 quilos de fubá. Um dos segredos do sabor está em um tempero natural, que inclui alho desidratado.

O processo começa na quarta-feira anterior à Festa, com a higienização do panelão feita com bomba de alta pressão. Na madrugada de quinta, às 3h, a lenha já começa a queimar para aquecer o panelão para o primeiro preparo, que será de polenta dura. Na sexta-feira, vêm o segundo e o terceiro preparos, de polenta dura e de cremosa, respectivamente.

O primeiro tombo para o público ocorre no sábado. Devido à grande procura, o horário foi alterado das 14 para as 15 horas, garantindo mais visibilidade. Nove voluntários participam de todas as edições do tombo, em um ciclo que começa com o acendimento do fogo e dura de quatro a cinco horas. Há ainda os que ficam na linha de proteção e que são responsáveis pelos registros fotográficos para os visitantes.

Carlinhos, além de coordenador, é peça-chave nos bastidores na cozinha, especialmente na manutenção das fritadeiras, uma das invenções típicas da Festa. Com 25 anos de experiência na produção de polenta em seu negócio particular, ele é voluntário do tombo há 21 anos, desde a criação do atrativo.

“No primeiro ano, só ajudei a carregar material. No segundo, já estava imerso, até sugerindo ajustes na receita com apoio da Regina Falqueto, da cozinha principal”, relembra. A parceria com Camata também se fortaleceu ao longo dos anos. “Ele criou as primeiras engenhocas e eu fui me envolvendo também nesse lado técnico, que gosto muito”.

Para Carlinhos, o tombo é mais do que trabalho: é aprendizado e convivência. “A gente se dedica muito, mas se diverte também. Sempre tem um churrasquinho e uma cachacinha em volta do panelão”.

A rotina se encerra na segunda-feira pós-festa, quando o panelão é novamente higienizado, untado com óleo e guardado, à espera do próximo espetáculo.

 

O segredo do fogo

O sabor da polenta também vem do fogo bem manejado. Segundo Carlinhos, a intensidade da chama deve diminuir gradualmente até o final do cozimento. “Se a rapa queima no final, a polenta absorve o gosto de fumaça. No dialeto, dizemos que fica com gosto de brustolim. Não é só colocar lenha: até isso exige experiência”, finaliza.

 

Tombo da polenta para estudantes: cultivando conexões com as futuras lideranças da Festa

Com o objetivo de aproximar as novas gerações das tradições culturais e investir na continuidade da Festa da Polenta, a Afepol promoveu, pelo segundo ano consecutivo, uma edição especial do tradicional Tombo da Polenta voltada exclusivamente para os estudantes de Venda Nova do Imigrante.

A atividade, realizada no Centro de Eventos Padre Cleto Caliman, replicou o espetáculo que marca a Festa da Polenta. A ação não ficou restrita aos limites da cidade: “Este ano recebemos até os alunos da comunidade de Santa Luzia, de Conceição do Castelo”, destacou Tarcísio, presidente da Afepol.

Dividido em dois momentos, às 9 e às 15horas, o Tombo da Polenta reuniu centenas de crianças, que acompanharam com entusiasmo a descida do alimento da panela gigante para a forma, o tradicional fondal. Entre sorrisos e olhos atentos, muitas vozes se uniram ao som do hino não oficial da festa, "La Bela Polenta", em um coro espontâneo que celebra a cultura do imigrante italiano.

Após o tombo, a polenta, ainda quente, foi servida com molho à bolonhesa e queijo ralado. As cumbucas se multiplicaram nas mãos dos pequenos, e não faltou apetite: alguns confessaram ter repetido até sete vezes. Tudo foi preparado com o mesmo cuidado e sabor que caracterizam a Festa da Polenta em sua versão oficial.

A logística do evento foi organizada pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Educação, que garantiu o transporte dos alunos com a frota de ônibus escolares. O secretário Tiago Altoé teve papel essencial na mobilização, reforçando os convites diretamente nas escolas. A parceria entre a administração municipal e a Afepol foi determinante para o sucesso da ação.

O evento contou com a presença do prefeito Dalton Perim e do secretário estadual de Educação, Vitor de Ângelo (que representou o Governo do Estado). Além de membros da diretoria da Afepol, equipe do tombo e diversos voluntários, que se mobilizaram para garantir que nenhuma criança ficasse sem experimentar a polenta.

Um destaque especial ficou por conta do robô do Sicoob, que animou as crianças e colaborou na distribuição dos refrigerantes doados especialmente para o momento.

 

A magia do tombo cenográfico

A Festa da Polenta ganhou um novo atrativo neste ano que encantou turistas e moradores: o tombo cenográfico da polenta. Inspirada no famoso momento do ‘Tombo da Polenta’, uma das tradições mais aguardadas do evento, a novidade foi idealizada para aproximar o público dessa experiência simbólica em todo tempo da programação e permitir que todos levassem para casa uma lembrança especial em fotos e vídeos.

Segundo Walber Naumann, vice-presidente da Afepol e idealizador do projeto, a criação foi pensada para ser instalada no panelão durante os períodos em que ele não estava em uso. “A peça cumpriu sua função ao proporcionar aos visitantes a sensação de estar próximos desse momento mágico, permitindo registrar e guardar essa recordação inesquecível”, destacou.

A execução do projeto contou com o talento do artista plástico Daniel, conhecido como Chileno, responsável pela concepção e produção da estrutura. Confeccionada em duas partes para facilitar a montagem dentro do icônico panelão, a obra combina diferentes materiais, conferindo leveza, maleabilidade e um visual impactante que rapidamente se tornou um dos pontos mais fotografados da festa.

A atração despertou grande curiosidade entre os visitantes, que formaram filas de maneira espontânea e organizada para fazer registros. O entusiasmo e os sorrisos estampados nos rostos do público mostraram que o esforço da equipe na criação e montagem do projeto foi recompensado.

“Na Festa da Polenta, buscamos sempre inovar, trazendo novidades que surpreendam nossos visitantes. O tombo cenográfico é uma prova desse compromisso, oferecendo experiências únicas e memoráveis. Queremos que cada pessoa que participe da festa leve consigo boas lembranças e o desejo de voltar para vivenciar novamente a magia da nossa celebração”, concluiu Walber.

 

 

 

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