Português (Brasil)

47ª Festa da Polenta – Paiol do Nonno: um cantinho especial para fotos, memórias e conexões

47ª Festa da Polenta – Paiol do Nonno: um cantinho especial para fotos, memórias e conexões

Dentro da celebração da Festa da Polenta, o Paiol do Nonno é um dos espaços que reúnem tradição, gastronomia e histórias vivas, algumas delas já sendo escritas pelas novas gerações

Compartilhe este conteúdo:

Entre os muitos encantos da Festa da Polenta, um espaço ganhou destaque especial na edição deste ano: o cenário montado no Paiol do Nonno, pensado com carinho para que visitantes e voluntários pudessem registrar seus momentos com a família, os amigos e com a história.

A ideia nasceu da observação atenta dos organizadores, que perceberam o desejo constante dos turistas por um local acolhedor para fotografias. “Eles sempre procuravam um cantinho mais aconchegante onde poderiam reunir toda a família para uma foto”, conta Rogério Cazoni, um dos coordenadores do espaço, ao lado dos voluntários Jaime Zorzal, Reni Falqueto Mistura e Joilce Falqueto.

O cenário encantou à primeira vista: bancos de madeira adornados com colchas e almofadas de retalhos recebiam os visitantes diante de uma parede rústica de estuque/taipa, evocando o aconchego das antigas casas de imigrantes italianos. Os detalhes fizeram toda a diferença: latões antigos, chapéus de palha, uma gamela sobre a mesa e o tradicional pilão completavam o ambiente. Um convite irresistível à memória e à conexão.

 

Um espaço que acolhe e aproxima

O sucesso foi imediato. Famílias inteiras se reuniam para tirar fotos, mas muitas delas acabavam ficando mais tempo, aproveitando para um bate-papo entre amigos ou uma pausa na programação intensa da Festa. Para os organizadores, o espaço também estreitou os laços entre os voluntários do Paiol e o público visitante. “Observamos mais pessoas se aproximando, principalmente crianças curiosas em conhecer os objetos antigos”, relata Cazoni.

Logo ao lado, um engenho e um debulhador de milho com mais de meio século de história também chamaram atenção. As crianças (e muitos adultos) puderam moer cana e experimentar o funcionamento do debulhador, num resgate vivo das tradições do interior. Balaios com milho e cana estavam à disposição, trazendo ainda mais interatividade à experiência.

 

Sabores que celebram a cultura

Como em todos os anos, a cozinha do Paiol do Nonno foi um dos pontos altos da Festa. Pratos típicos como aipim com torresmo frito na hora, polenta com linguiça, banana assada na chapa do fogão, pastel, caldo de cana, socol, geleias, canjiquinha e feijão fizeram sucesso entre os visitantes. A novidade de 2025 ficou por conta da paçoca feita na hora no pilão, aprovada com entusiasmo pelos visitantes.

A produção de todos esses quitutes é possível graças ao trabalho de 48 voluntários que se revezam nas mais diversas funções: cozinha, bar, caixa e atendimento. A equipe conta com o apoio do setor de compras da Afepol, que realiza cotações priorizando sempre os produtos locais e da agricultura familiar da região.

Para completar o clima rural e acolhedor, o Paiol do Nonno também oferece uma programação musical voltada à música raiz, com destaque para o forró e o sertanejo tradicional. Mas outro espaço que mereceu atenção redobrada nesta edição foi o Moinho de Milho, uma extensão do Paiol, coordenado pelos mesmos responsáveis, com apoio de voluntários dedicados exclusivamente a essa atividade.

 

Vendinha do Paiol: onde o voluntariado começa na infância

Na vendinha do Paiol, onde são comercializados produtos típicos como o fubá artesanal moído no moinho local, um flagrante encantador chamou a atenção no primeiro fim de semana da festa: as pequenas Maria (2 anos) e Cecília (8), filhas dos voluntários Denize Paganini e Rogério Cazoni, e Maria (7), neta de Joilce Falqueto, uma das coordenadoras do Paiol, ajudavam animadamente nas atividades. No segundo fim de semana, foi a vez de Mateus (10), outro neto de Joilce, assumir o posto com empolgação contagiante.

“Ele quer ajudar em tudo, onde chamar ele vai: gosta de varrer, vender, pegar as coisas”, conta a avó, visivelmente orgulhosa do envolvimento do neto. Para ela, o revezamento dos netos durante os dois finais de semana da Festa é mais do que uma ajuda: é uma forma concreta de ensinar e transmitir o valor do trabalho voluntário.

A estratégia de Joilce é clara: envolver os pequenos nas atividades como forma de perpetuar o espírito de colaboração e pertencimento. “Quero mostrar para a nova geração tudo o que fazemos, para que eles também passem a ter o mesmo empenho que temos hoje. A minha neta não queria nem ir embora, porque gostou muito da Festa”, conta, com um brilho nos olhos que traduz mais que palavras, traduz legado.

Denize Paganini compartilha da mesma visão. Voluntária desde 2011, ela apenas se afastou entre 2017 e 2019, quando nasceu sua primeira filha. Agora, com duas meninas crescendo em meio à rotina dos preparativos e das atividades da Festa, ela encontra nas filhas uma motivação ainda maior para seguir contribuindo.

“Como não temos família aqui em Venda Nova, elas estão sempre com a gente. Vêem o nosso trabalho, participam, brincam ao redor dos adultos… E sempre que possível, peço ajuda no que estamos fazendo, tentando inserir as crianças como se fosse uma brincadeira”, explica Denize.

No último sábado, a pequena Maria se encantou com a função de carregar pacotes de fubá e organizá-los nas prateleiras da vendinha. Uma tarefa simples, mas que para ela se tornou uma experiência lúdica e cheia de significado.

Os exemplos de Joilce e Denize mostram que, além dos sabores e tradições preservadas, o Paiol do Nonno cultiva algo ainda mais importante: o envolvimento das novas gerações.

 

Cozinha: o lugar mais quente do Paiol do Nonno

Na cozinha do Paiol, apenas um balcão separa o atendimento do preparo, e o que une todos é o envolvimento genuíno das pessoas que fazem aquele espaço funcionar. Entre elas está Maria Aparecida Falqueto Hoffmann, a Cida, voluntária incansável há mais de 25 anos.

Enquanto muitos apreciam o aroma do torresmo e da mandioca frita, poucos sabem que o preparo começa muito antes. “Em agosto, já começamos a descascar mandioca”, conta Cida. São 400 quilos da raiz cortados em pequenos pedaços e cozidos, no tamanho certo para a fritura, e cuidadosamente guardados em sacolinhas plásticas, o que facilita o preparo nos dias da Festa.

Neste ano, para surpresa e alegria dos voluntários, todo o estoque acabou no primeiro final de semana. Não houve tempo para lamentar: na segunda-feira seguinte, a equipe se reuniu novamente para repetir o processo, preparando tudo de novo, em tempo recorde, para o fim de semana seguinte.

Apesar da organização e planejamento, não existem funções rígidas na cozinha do Paiol. “Eu não tenho um trabalho específico no dia da Festa. Na verdade, ninguém tem. Todos se envolvem no que acham que conseguem fazer. Precisou no fogão? Vai no fogão. Precisou na limpeza? Vai na limpeza. É assim”, explica Cida, reforçando o espírito coletivo que move o voluntariado ali.

Ela, porém, costuma cuidar de forma especial da fritura do torresmo, já que tem uma habilidade especial com o fogão a lenha. “Sempre morei na roça, e em casa sempre teve fogão a lenha. Sei como acertar o fogo, o ponto certo de jogar o torresmo… Mas, precisando em outra área, também estou disponível”.

Os turnos são longos. No sábado, Cida trabalha das 9 às 17h. No domingo, vai até as 18h. “É um trabalho cansativo, mas muito prazeroso. A gente se diverte, se ajuda e vê o resultado no rosto feliz das pessoas que passam por aqui”.

Cida não está sozinha nessa missão. Ela traz no sangue o espírito do voluntariado. “Meu pai sempre trabalhou voluntariamente na comunidade: na Festa da Polenta, na Festa da Apae, no Leilão de Garrotes, na Festa de Alto Bananeiras. Meus maiores exemplos de dedicação ao outro são meu pai e minha mãe”.

Esse legado, Cida já passou adiante. Quando a filha Bianca nasceu, ela se afastou por três anos. Mas assim que a menina começou a andar com segurança, já estava circulando pelo Paiol. Aos 10 anos, começou a ajudar na venda de socol, onde o movimento era mais tranquilo. Hoje, Bianca é voluntária fixa e mais do que isso: multiplicadora.

Neste ano, ela convidou uma amiga e o namorado para fazerem parte da equipe. Os dois adoraram a experiência e já garantiram presença no ano seguinte. “O jovem trabalha, gosta e vai engajando outros jovens. A nossa família toda é envolvida no Paiol. Só do meu pai, são quatro filhos ajudando. É muito bom fazer parte dessa cultura e do trabalho voluntário em prol do outro”, diz emocionada, a filha de Angelim Falqueto.

Compartilhe este conteúdo: