
Especial IJBS - Som que renasce: Banda Sinfônica de Venda Nova volta a encantar a cidade
Com instrumentos nas mãos e sonhos em construção, graças à parceria entre a Prefeitura e o IJBS, alunos de todas as idades dão vida à retomada de um dos projetos culturais mais marcantes da história recente do município
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Um som envolvente, quase acolhedor, tem preenchido os ambientes do Centro Cultural Máximo Zandonadi, em Venda Nova, nas noites de sexta-feira e nas manhãs de sábado. Entre notas ainda tímidas e descobertas musicais, aprendizes exploram instrumentos de percussão, saxofones e outros elementos que, juntos, formam a riqueza de uma orquestra sinfônica.
Esse cenário marca o retorno de um importante projeto cultural: a Banda Sinfônica de Venda Nova. A iniciativa ressurgiu graças a uma parceria entre o Instituto Jutta Batista da Silva-IJBS e a Secretaria de Turismo do município. Desde o dia 12 de setembro do ano passado, oficinas de formação e preparação musical vêm sendo realizadas- e ainda há vagas abertas para quem deseja mergulhar no universo da música.
A retomada ganhou força em setembro de 2025, quando foi formalizado o primeiro repasse de recursos para execução até dezembro daquele ano. Já em março de 2026, o IJBS foi novamente selecionado por meio de um edital de chamamento público, garantindo a continuidade do projeto até 2027. O processo foi conduzido pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Turismo, com o objetivo de escolher uma insti-tuição responsável pela execução da iniciativa.
Com a seleção, cabe ao Instituto não apenas conduzir as atividades musicais, mas também gerenciar todos os aspectos do projeto: da contratação de professores à compra de materiais, passando pelas inscrições e pela divulgação.
Atualmente, cerca de 40 participantes integram o projeto, com idades que vão desde crianças a partir dos seis anos até adultos com mais de 50. À frente da banda está o regente e coordenador Pedro Roberto de Souza, que explica a dinâmica de aprendizado: crianças entre seis e 10 anos iniciam na musicalização, enquanto, a partir dos 11, passam a ter contato direto com instrumentos específicos, sempre com liberdade para experimentar diferentes opções.
“Os alunos podem testar vários instrumentos e ir se descobrindo, quase como um teste vocacional”, explica. Os instrumentos pertencem à Fundação Máximo Zandonadi e são disponibilizados para que levem para casa. “Isso faz toda a diferença, porque eles conseguem praticar e voltar mais preparados para a aula seguinte”.
Essa possibilidade, segundo o professor, torna o aprendizado mais acessível. “Os instrumentos têm um custo elevado. Um saxofone, por exemplo, pode custar a partir de R$ 3 mil. Sem essa estrutura, muitos não teriam acesso. E, ao levar o instrumento para casa, o aluno também pode participar de atividades em sua comunidade, como apresentações em igrejas da qual fazem parte”.
A mensagem é clara: basta ter interesse para participar. “Venda Nova vive uma oportunidade rara, e estamos de portas abertas”, reforça.
História e recomeço
A Banda Sinfônica de Venda Nova já fez parte da rotina cultural da cidade entre 2012 e 2018, fruto de uma parceria entre a Fundação Máximo Zandonadi e o Governo do Estado. Após esse período, houve uma pausa significativa, e agora o projeto recomeça praticamente do zero. Muitos dos antigos alunos seguiram outros caminhos, e alguns já nem residem mais no município. O legado deixado, além da descoberta de talentos, foi um conjunto de equipamentos, que agora possibilitam a continuidade da Banda.
Para a secretária municipal de Turismo, Cultura e Artesanato, Lícia Caliman, o retorno representa mais do que a retomada de um projeto: é a realização de um sonho coletivo. “A volta da Banda Sinfônica reafirma o compromisso da Prefeitura com o fortalecimento da cultura. É uma ação especial que valoriza a música e a formação cultural da nossa população”, destacou durante a apresentação de encerramento de 2025.
Para Lícia, a parceria entre a Secretaria de Turismo, Cultura e Artesanato e o Instituto Jutta Batista da Silva representa um avanço significativo no fortalecimento das políticas públicas voltadas à cultura e à formação artística no município. “Essa união de esforços demonstra o compromisso conjunto em promover o acesso à arte, valorizar talentos locais e criar oportunidades concretas para o desenvolvimento cultural da população”.
No contexto da Banda Sinfônica, Lícia afirma que essa parceria é essencial para garantir não apenas a continuidade do projeto, mas também a sua qualidade e alcance. O apoio institucional possibilita a manutenção de instrumentos, a oferta de formação musical adequada e a ampliação do número de participantes, impactando diretamente na vida de jovens e adultos que encontram na música um caminho de expressão, disciplina e inclusão social”.
O recomeço também trouxe de volta um nome essencial: Pedro Roberto de Souza, egresso da Banda da Polícia Militar do Espírito Santo e atualmente sargento em Vitória. Ele foi um dos fundadores da banda e, agora, reassume o papel de formador de novos talentos.
Ao relembrar o passado, Pedro destaca o impacto do projeto na formação musical local. “Descobrimos muitos talentos aqui. Um exemplo é Thayná Lorenção, hoje pianista e doutoranda em música pela Universidade do Estado de Santa Catarina”.
Na fase anterior, o projeto chegou a contar com seis turmas de musicalização, somando 60 alunos, além de 50 integrantes na banda principal. E ainda havia lista de espera. As apresentações no Centro Cultural frequentemente lotavam o espaço, e o grupo também se apresentou em diversos municípios do Espírito Santo.
Muito além da música
Mais do que ensinar notas e técnicas, o projeto fortalece vínculos. Para Pedro, a presença das famílias é um elemento-chave nesse processo. “É muito importante que os pais acompanhem, tragam seus filhos, assistam às aulas. Todos estão começando do zero, e acompanhar a evolução de cada aluno é algo muito motivador: para eles e para os próprios pais”.






