
Quanto mais exercício, melhor o resultado?
Acontece com frequência anual: de setembro em diante, o número de frequentadores das academias de ginástica aumenta consideravelmente. E esse número é diretamente proporcional também ao número de pessoas que passam a frequentar mais as praias e piscinas. E a relação entre as duas situações pode, sim, ser considerada causa e consequência.
“Meu corpo ficará mais exposto, logo preciso emagrecer, ficar mais forte” é o pensamento.
Nem vou me ater a comentar sobre essa sazonalidade, mas sim quero levantar uma questão: falar dos riscos que esses frequentadores podem trazer à sua própria saúde.
Geralmente esses frequentadores, na urgência em tentar alcançar o objetivo almejado, lançam mão de medidas sem a devida orientação: uso indiscriminado de medicamentos, dietas extremamente restritivas e execução desorientada de exercícios físicos.
Irei me prender ao último, pois é o que se relaciona com minha área, já que, ao contrário do que se pensa, há uma dose ideal (quantidade e qualidade) de exercícios que deve ser executada, e fazer mais ou numa intensidade muito além do que seu corpo resiste pode trazer problemas.
E estes vão desde problemas articulares a outros mais graves. Um destes é a rabdomiólise. Volta e meia vemos notícias sobre isso. Tempos atrás foi amplamente divulgada a situação de uma “influencer” que deu entrada na UTI após fazer uma atividade física. Aos que não se aprofundaram na notícia, cabe uma explicação.
Primeiramente, a pessoa em questão estava há um tempo inativa e foi convidada por uma amiga para uma aula coletiva.
Junta-se a isso que: não houve avaliação física; como se tratava de uma aula coletiva, não houve individualização dos estímulos, apenas a famosa “aula experimental”; em resumo, não houve um planejamento específico da dose de exercício a ser aplicada para ela.
Relatos apontam que a pessoa, ao fim da aula experimental, já apresentou sintomas típicos da rabdomiólise: um cansaço excessivo, dores musculares extremas e, o sinal mais importante, urina escura, o que a fez procurar um hospital.
Aliás, das escolhas que esta “influencer” teve, essa foi a mais sensata e prudente que ela poderia ter.
A urina dessa cor é um indício de que os rins estavam sobrecarregados. Mas o exercício causou a rabdomiólise? Sim, mas apenas se for mal planejado.
Explicando: durante os exercícios físicos, os músculos sofrem microlesões em suas células; findado o exercício e nos dias posteriores a este, o organismo “trabalhará” para restabelecer essas células e produzir novas, a fim de suportar aquele estímulo a que foi submetido. Esse é o processo natural de adaptação, e é ele que os professores de educação física almejam ao prescrever um treinamento.
Após essa consolidação, novos estímulos, mais fortes, são impostos e assim se progride fisicamente.
Você já deve ter percebido que, no caso destacado acima, o equívoco se deu porque a pessoa executou uma carga (tanto em intensidade como em quantidade) de exercícios muito além da sua capacidade física.
Um estímulo muito forte, muito além das capacidades físicas da “influencer”, produziu microlesões musculares além do que o organismo conseguiria sintetizar, e isto ocasionou também uma quantidade muito grande de mioglobina (e outras organelas) sendo despejada na corrente sanguínea, sobrecarregando os rins.
A rabdomiólise é perigosa e pode ocasionar insuficiência neste órgão, sendo necessário, por vezes, fazer diálise e, se não for tratada, levar até mesmo a óbito.
Exercício físico é a ferramenta mais acessível que temos para conseguir saúde, e permanece aquela máxima em que sempre me baseio para escrever sobre ele e defendê-lo: “Não existe atividade física ou exercício físico proibido; o que deve ser considerado é o status físico do praticante”.
Dudu Altoé
Personal Trainer
CREF.: 002126-G/ES
Especialista em treinamento físico para grupos especiais





