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47ª Festa da Polenta – 'Polentômetro’ moderniza controle na cozinha

47ª Festa da Polenta – 'Polentômetro’ moderniza controle na cozinha

Inovação no sistema de delivery da Festa da Polenta incluiu também porções de macarrão

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Pelo segundo ano consecutivo, a Festa da Polenta implementou o sistema de delivery para levar o tradicional prato típico além dos limites do Centro de Eventos. A novidade, que já havia sido bem recebida na edição anterior, ganhou reforço este ano com a inclusão das porções de macarrão, servidas com molho à bolonhesa ou ao funghi.

Mas a inovação não parou por aí. Nos bastidores da cozinha, um novo recurso tecnológico foi destaque: a instalação de um painel que exibia em tempo real a quantidade de pratos vendidos. O equipamento, apelidado carinhosamente de “Polentômetro”, facilitou o controle da produção.

“Antes, o controle era feito pelo número de embalagens de marmitas que saíam do estoque. Com o painel, tudo ficou muito mais prático e preciso”, afirma Regina Falqueto, coordenadora geral da cozinha.

Apesar dos avanços, Regina explica que o trabalho ainda precisa de ajustes, especialmente por conta que este ano a organização precisou usar uma embalagem diferente para os pratos de delivery, pois a tampa do tradicional apresentou dificuldades para o fechamento. Têm também os pratos de cortesia nessa contabilidade. “Ainda não foi um controle perfeito, mas acredito que na próxima edição teremos um fluxo 100% monitorado”, projeta.

Ela conta que, graças ao painel, foi possível reagir rapidamente em momentos de pico surpresa. “Teve um dia em que, às 14h30, estávamos tranquilos, finalizando a demanda. De repente, mais de 100 pratos foram vendidos. Saber disso com antecedência nos deu tempo, mesmo na correria, para preparar tudo a tempo. Provavelmente, foram turistas e moradores da região levando comida para casa”, comenta.

 

Um trabalho que começa bem antes da Festa

Quem saboreia as porções de polenta ou macarrão, especialidades da cozinha principal da Festa, talvez não imagine o tamanho da preparação nos bastidores. Segundo Regina, o trabalho começa semanas antes do evento.

“Foram preparadas as polpas para o molho com 120 caixas de tomates e 30 sacos de cebola. Primeiro, separamos sementes e cascas dos tomates e moemos tudo. As cebolas são picadas com um mixer industrial e, depois, tudo vai para a câmara fria, aguardando o preparo do molho nos dias da Festa”, explica.

A carne moída também é preparada com antecedência. No primeiro fim de semana, foram consumidos 350 quilos de carne de porco e 350 de boi. No segundo, 300 e 250, respectivamente.

“ Tudo é reaproveitado, quando necessário. Por exemplo, sobrou parte do queijo gigante, aquele que é fracionado ao vivo durante a Festa. Esse queijo foi ralado resultando em 17 caixas de queijo, que foi servido na polentinha que distribuímos gratuitamente às crianças e também na quinta-feira do voluntário”, detalha.

Outro ponto positivo, segundo Regina, foi a instalação de duas maquininhas de venda ao lado da cozinha e do ponto de porções. “Quem tinha um pouco mais de familiaridade com o sistema podia fazer a compra sozinho, sem precisar atravessar o pátio até os caixas”, comenta.

 

Voluntária incansável e símbolo de coragem

Aos 64 anos, Regina acumula 44 anos de trabalho voluntário e está à frente da cozinha da Festa da Polenta desde 1996, ano em que o evento passou a acontecer no Polentão.

“Meu primeiro ano foi mais como uma experiência. No segundo, já assumi a coordenação. Essa equipe é como uma segunda família. Quase não muda. Temos voluntárias jovens, como a filha da Delza Falqueto, que foi princesa da Festa no ano passado e fez falta quando se ausentou por causa da realeza. Mas este ano ela voltou, ajudando na equipe do macarrão. E tem também a tia Dina, com 85 anos, que tem mais disposição que muitas jovens!”, relata, com orgulho.

Mesmo com as receitas já dominadas, Regina compartilha que há alguns truques especiais que fazem a diferença no sabor. “Usamos vinho no molho do macarrão e peito de frango caipira no caldo do capeletti”, revela. E nada de segredos quando o objetivo é garantir a continuidade: todas as receitas estão documentadas na sede da Associação Festa da Polenta- Afepol.

 

Entre a fé e a superação

Mesmo sendo veterana, a presença de Regina na linha de frente da cozinha nesta edição surpreendeu a comunidade. Ela está em tratamento contra um câncer no intestino e, por isso, muitos esperavam que estivesse afastada das atividades. Mas, contrariando expectativas, lá estava ela: firme, sorridente e dedicada.

No sábado seguinte à Festa, ela recebeu a reportagem da Revista Folha Nova apenas um dia depois de sua oitava sessão de quimioterapia. “Nunca pensei que fosse tão valorizada pelo que faço. Muita gente me encontra e diz que está rezando por mim”, contou, emocionada.

Durante o evento, ela ainda torceu o pé, o que resultou em uma luxação no tornozelo. Nem o conselho do médico   a convenceu de parar e ela se manteve presente, trabalhando todos os dias da Festa.

Com sorriso no rosto, Regina atribui à fé sua força e resiliência. “Essa coragem vem de Deus. Tenho uma vontade enorme de viver, de trabalhar, de fazer o bem. Nunca desanimei. Deus me deu uma cruz e é ela que eu carrego. Todas as orações e minha fé estão me fortalecendo. Peço muito à Nossa Senhora para interceder junto ao Pai. Tenho fé que serei curada”, afirma.

 

Reconhecimento merecido

Pelos seus 40 anos de voluntariado e pela liderança à frente da cozinha, Regina foi homenageada com a Comenda Padre Cleto Caliman, oferecida anualmente pela Afepol.

Ela, que sempre ajudava a escolher os homenageados, foi surpreendida ao ser uma das selecionadas este ano. “Tentaram esconder de mim, mas alguns dias antes da Festa eu já tinha percebido”, conta, rindo.

Embora não tenha subido ao palco na sexta-feira, dia da entrega oficial, por conta da também homenageada Odila Falqueto Minete, que tem dificuldade de locomoção, o momento de reconhecimento veio no domingo. Durante o show do grupo Panelaço, o vocalista do Ragazzi Dei Monti entregou-lhe o microfone e, no palco, Regina pôde expressar publicamente sua gratidão pelo carinho, pelas orações e pelo reconhecimento da comunidade.

 

Polentômetro e totens

Novas tecnologias que turbinaram o trabalho dos voluntários e o atendimento ao público durante a Festa da Polenta

Quem acompanha a história da Festa da Polenta sabe que, a cada edição, a diretoria responsável aprimora os serviços oferecidos, assim como os sistemas de controle e monitoramento. Neste ano, duas novidades tecnológicas se destacaram: os monitores que exibiam, em tempo real, as vendas de determinados produtos no caixa, e os terminais de autoatendimento, chamados de totens, utilizados para a compra de fichas de comidas e bebidas.

De acordo com Jorge Luis do Amaral Torres, diretor de Finanças, foram utilizados dois monitores (um na cozinha principal e outro na cozinha do bar) que receberam, de forma criativa e carinhosa, o nome de Polentômetro. A ideia do apelido partiu de Alexandre Coelho e Vinícius Berger, ambos da empresa Tiketo, responsável pela venda online de ingressos e tickets.

Jorge explica que o objetivo dos Polentômetros era fornecer, em tempo real, dados sobre as quantidades de produtos vendidos, subsidiando assim as equipes da cozinha com informações úteis para organização e reposição. “As atualizações eram automáticas e instantâneas, à medida que os produtos eram vendidos”, comenta.

Inicialmente, o sistema mostrava apenas alguns produtos, mas o sucesso da ferramenta foi tanto que as equipes solicitaram a inclusão de mais itens no painel, encantadas com a inovação e a praticidade.

Já em relação aos terminais de autoatendimento (totens), Jorge informa que foram instalados três equipamentos a partir do segundo final de semana da Festa, após o processo de homologação. “Os três terminais somaram R$ 100.988,00 em vendas, referentes a 7.175 produtos diversos”, destaca.

 

E por falar em números, Jorge compartilha alguns dados impressionantes desta edição da Festa da Polenta:

- 8.000 pratos típicos servidos, sendo 1.221 no *Plus Delivery (também foram vendidos pelo aplicativo 232 talharins, 159 refrigerantes, gerando uma venda de R$ 57.457,00);

- 7.575 porções de macarrão com molho à bolonhesa;

- 5. 824 porções de polenta com molho à bolonhesa;

- 15.455 cervejas artesanais;

- 19.086 chopes pilsen;

- 21.263 latas de cerveja;

- 14.855 refrigerantes;

- 16 tombos da polenta, que resultaram na produção de 18 toneladas do prato símbolo da Festa.

 

Na data de fechamento desta edição da revista, a diretoria ainda não havia apurado o resultado final (lucro líquido), pois restavam diversas despesas a serem quitadas. No entanto, as análises preliminares indicam que a 47ª Festa da Polenta registrou um bom volume de vendas, além de contar com patrocínios significativos, o que leva a equipe financeira a acreditar que o evento garantirá boas reservas para a realização da próxima edição.

A atual diretoria destaca a contratação de serviços de marketing e publicidade e a retomada das parcerias, que proporcionaram maior visibilidade à Festa da Polenta e estão contribuindo para a grandiosidade do evento.

 

 

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