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47ª Festa da Polenta – Puxadinho da Nonna: o sabor que encanta gerações

47ª Festa da Polenta – Puxadinho da Nonna: o sabor que encanta gerações

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A cena já virou tradição: ao se aproximarem do Puxadinho da Nonna, os visitantes são recebidos pelo aroma irresistível de pães e biscoitos preparados ali mesmo, na hora, pelas mãos incansáveis de voluntárias que trabalham com dedicação e carinho. É esse trabalho artesanal, feito com alma e memória afetiva, que continua sendo a grande atração do espaço, ano após ano.

Mesmo quem já conhece o Puxadinho não resiste a uma nova visita. “Eles dizem que passam aqui todos os anos e continuam encantados. Ficam observando a gente trabalhar como formiguinhas, sempre com curiosidade e admiração”, conta Adriana Falchetto, coordenadora do Puxadinho. Para os que estão ali pela primeira vez, a experiência costuma ser mágica. “Muitos nunca viram algo assim acontecer. Ficam maravilhados ao descobrir que tudo é feito ali, no calor da hora. E quando mostramos as receitas, é como se estivessem ganhando um presente”.

Essa conexão com o público impulsiona o crescimento constante do atrativo. Diante do balcão, turistas observam atentamente o preparo dos produtos e escolhem o que levar. Alguns, inclusive, querem levar de tudo um pouco. O encantamento é tamanho que a equipe sente a necessidade de se aprimorar a cada edição, sem perder a essência. “Temos que encontrar o equilíbrio entre a agilidade na produção e a fidelidade às receitas e modos de preparo que herdamos das nossas nonnas. É o nosso maior compromisso”, explica Adriana.

Apesar da crescente demanda, o cardápio permanece praticamente o mesmo dos últimos anos. “No momento, não sentimos a necessidade de acrescentar. Os produtos que já temos dão conta do recado e encantam os visitantes”, diz ela. Pensando em quem tem restrições alimentares, o Puxadinho oferece várias opções sem leite e até um item sem trigo: a broinha de melado, um sucesso absoluto.

Embora não exista um campeão de vendas, um item sempre chama atenção: o biscoito frito. “Tem hora que acaba tudo. Já precisamos colocar outra fritadeira nos fundos, no gás, porque entre duas e três da tarde, a procura explode. O pessoal compra um cafezinho na Casa da Nonna e vem aqui buscar o biscoito para acompanhar”, conta Adriana.

 

A estrela do domingo: menestra, o caldo da memória

No fim da tarde de domingo, um burburinho diferente toma conta do Puxadinho. É a hora da menestra, um prato típico das famílias imigrantes, que nada mais é do que um caldo de feijão com macarrão caseiro, preparado ali mesmo, de forma artesanal e com ingredientes selecionados.

O preparo começa por volta das 16 horas, quando as massas de pães e biscoitos dão lugar ao ritual da menestra. O caldo de feijão é cozido com antecedência por Juliana Falchetto, que o tritura e resfria. No domingo pela manhã, Adriana busca o caldo. Neste dia Gláucia Altoé, mesmo sem estar presente no evento, já preparou o pesto caseiro que, quando tempera a receita, perfuma todo o ambiente.

Mas o ponto alto da receita é o macarrão feito na hora, bem no centro do Puxadinho. “Eu quebro os ovos, meço a água com colheradas para acertar a textura da massa. As voluntárias ajudam a mexer tudo”, relata Adriana. A abertura da massa é outro espetáculo à parte: feita com o tradicional pau de macarrão herdado de sua mãe Edília. “É por isso que a ajuda das vovozinhas é tão importante. Elas têm a habilidade e a força de quem cresceu fazendo isso”.

Neste ano, três massas foram abertas, com o uso de 30 ovos. E o processo, mesmo trabalhoso, é recheado de afeto. A massa é enrolada com fubá, cortada e peneirada para retirar o excesso de farinha. “As novas voluntárias ainda estão aprendendo, mas já temos gente jovem querendo participar. Meu sobrinho Francisco, por exemplo, veio pelo segundo ano ajudar na menestra”.

A ausência de algumas matriarcas neste ano, como Dona Felícita Falchetto e Dona Lourdes Antoniazzi, foi sentida, mas com promessa de retorno na próxima edição. "Dona Lourdes disse que no ano que vem estará aqui com a gente. E a gente espera mesmo que sim".

Entre o aroma do pão saindo do forno e a fumacinha quente da menestra, o Puxadinho da Nonna segue sendo um ponto de encontro entre gerações, onde tradição, sabor e afeto se misturam em cada receita.

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