
47ª Festa da Polenta – Casa da Nonna: mais linda do que nunca na Festa da Polenta
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Ao atravessar a porta da Casa da Nonna, o visitante da Festa da Polenta é imediatamente transportado no tempo. O aroma de café coado na hora, o som das panelas de ferro, o calor do fogão a lenha e os sorrisos das nonnas e jovens voluntárias compõem um ambiente cheio de afeto e memória. Mesmo com uma estrutura antiga, o espaço continua a emocionar. Este ano, estava "mais lindo do que nunca", nas palavras de Marília Caliman, a Lila, coordenadora atual da Casa.
Apesar da necessidade de algumas melhorias estruturais, a decoração de época e os detalhes caprichosamente mantidos deram à Casa uma atmosfera ainda mais acolhedora. “Ela sempre foi linda, mas esse ano superou as expectativas”, comenta Lila, que destaca a união de tradição com novas ideias como o principal segredo do sucesso.
Delícias afetivas
Entre as novidades gastronômicas, o pão italiano de fermentação natural foi uma das grandes surpresas. Preparado por Ronaldo, proprietário de uma pizzaria Vila Betânea, o pão foi introduzido de forma experimental: 30 unidades no primeiro final de semana. O sucesso foi tão grande que, no segundo, a produção dobrou para 60 e, mais uma vez, tudo foi vendido.
Outros destaques foram os biscoitos personalizados em formato do “Polentinha”, feitos por Iluska Perim, e os 400 saquinhos de biscoitos tradicionais preparados por Juliana Falqueto, com sabores como nata, limão e açúcar mascavo. Os doces e geleias artesanais também mantiveram seu posto de queridinhos, especialmente os bolos com banana, aveia e açúcar mascavo produzidos por Vânia Delpupo, que conquistam pela simplicidade e sabor de casa de vó.
A Casa da Nonna também oferece cafezinho coado na hora e serve gratuitamente pedacinhos de polenta para degustação. Os visitantes ainda podem adquirir pó de café, macarrão artesanal e fubá, gerando receita para a Festa sem fugir da proposta de autenticidade.
Entre os preparos quentes, dois clássicos se destacaram: papa e pamonha. No total, foram servidas 150 porções de papa em cada fim de semana, representando um crescimento de 30% nas vendas em comparação com 2024. A procura foi tamanha que, mesmo com a produção dobrada, a demanda superou a oferta.
Esses pratos caseiros, preparados com carinho pelas cozinheiras voluntárias são experiências culturais. Com sabor de tradição e preparo artesanal, tornam-se parte da vivência afetiva de quem passa pela Casa da Nonna.
O “tombinho” da polenta que emociona
Se o Tombo da Polenta, aquele famoso espetáculo da Festa, chama a atenção como uma das atrações principais, dentro da Casa da Nonna ele acontece em versão mais intimista, e não menos emocionante. Vestidas a caráter, as nonnas viram a panela de ferro para deixar escorrer a polenta dourada sobre a tábua de madeira, em meio ao encantamento e olhos curiosos e emocionados.
Foram realizados 30 “tombinhos” ao longo dos dois finais de semana da Festa: sete no primeiro sábado (dia 4), oito no domingo (5) e o mesmo número repetido no segundo sábado (dia 11). No domingo de encerramento (dia 12), foram feitas sete receitas.
“Para a coordenadora, o mais interessante na Casa da Nonna, é a surpresa que provoca no turista quando entra na Casa. Essa reação é ainda mais forte na geração acima dos 50 anos, que se emociona profundamente. “Tem gente que chora. Teve um homem com crise de choro. Não tem como descrever o sentimento de ver os turistas assistindo tudo: o tombinho, as lamparinas, as carnes penduradas em cima do fogão, as tranças de alho, as cebolas penduras”.
Se a demonstração da virada da polenta no balcão impressiona, o fogão da Casa da Nonna tem um efeito visual hipnotizante, que soma ao calor, ao cheiro e a outros elementos de uma cozinha antiga. E a fumaça reforça essa ambientação.
Em torno desse calor do fogão ficam as cozinheiras voluntárias como Anna Marta Caliman, Elda Falchetto, Lourdes Altoé Falqueto, Carmem Zambom Monte, Lydia Elza Péterle, Maria das Graças Freitas e Vilma Caliman. Há anos elas fazem esse trabalho na Casa da Nonna. E, dentre essas, a Marta, a Vilma e a Graça são também voluntárias da Associação de Voluntárias Pró-Hospital Padre Máximo.
80 corações voluntários e o futuro nas mãos dos jovens
Este ano, 80 voluntárias estiveram diretamente envolvidas na organização e funcionamento da Casa da Nonna. Além delas, colaboradoras veteranas como Dona Felícita Falchetto Antoniazzi, Dona Carmem Feitosa Altoé e Dona Santinha Mazzoco Falqueto, mesmo sem estarem presentes fisicamente, seguem contribuindo com o espaço e são homenageadas com kits especiais oferecidos pela Afepol.
A nova geração também está presente: 15 duplas de adolescentes, meninos e meninas vestidos tipicamente, circularam pela Festa vendendo cafezinhos e doces caseiros com entusiasmo e brilho nos olhos. “Eles vivenciam o prazer de servir, desenvolvem habilidades, se empolgam com os resultados. É o que mais me encanta: são a continuidade do nosso trabalho”, diz Lila. “Eles vendem sorrindo, com amor, e isso contagia o público”.
O sucesso do cafezinho foi tanto que, a cada edição, a Casa escolhe um fornecedor parceiro. Em 2025, o destaque foi o Coffee Design, do Ifes Venda Nova, que não só doou o café 100% arábica, como ofereceu assessoria técnica para o preparo. “O professor foi pessoalmente nos orientar. Foi maravilhoso, o café foi um sucesso absoluto”, comemora a coordenadora.
Artesanato com lugar de destaque
Um dos ajustes importantes feitos este ano foi a reorganização do espaço do artesanato. Antes disposto no balcão, disputando espaço com os alimentos, os itens feitos pela Associação de Voluntárias Pró-Hospital Padre Máximo ganharam um lugar especial na sala, ao lado das nonnas bordadeiras.
A mudança foi estratégica e rendeu resultados: o aumento nas vendas gerou um bom retorno para a associação, com 15% do valor revertido para a Afepol. “Com a retirada da escada lateral e a liberação da sala, ampliamos a visibilidade. As nonnas ficaram felizes também, afinal, são peças que passam pelas mãos delas. É uma forma de valorização”, completa Lila.






