
47ª Festa da Polenta – Rancho do Açúcar: o sabor artesanal que adoça memórias na Festa da Polenta
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Na Festa da Polenta, tradição e sabor caminham lado a lado e o Rancho do Açúcar, que representa bem essa união, conquistou de vez seu lugar como um dos grandes atrativos típicos do evento. Composto por 16 voluntários dedicados, o Rancho se consolidou como equipe oficial pelo segundo ano consecutivo, após nascer como uma extensão do já conhecido Paiol do Nonno.
O espaço oferece uma verdadeira experiência sensorial aos visitantes, que se encantam ao acompanhar, de perto, o processo artesanal de produção do açúcar mascavo. Naquele espaço, eles conhecem e podem comprar as diversas formas de apresentação, como o melado, a rapadura e os doces caseiros, como o tradicional pé de moleque, receita que remonta à herança dos imigrantes italianos da região.
Uma maratona de dedicação antes da Festa
Por trás dos sabores que encantam o público, existe um trabalho intenso que começa muito antes da abertura da Festa. Os voluntários do Rancho do Açúcar se reuniram nada menos que 14 vezes antes do evento para produzir os doces e o mascavo. Organizados em grupos de seis a sete pessoas, cada equipe se dedicava por cerca de seis horas por dia, num verdadeiro mutirão que envolvia desde o corte da cana-de-açúcar até o cozimento do caldo em tachos de metal sobre fogo intenso.
“É um trabalho pesado e quente, feito ao ar livre. Mas é gratificante demais ver o resultado”, relata Marco Aurélio Caliman, o Marcão, que cede gentilmente seu galpão, engenho e lenha para que a produção aconteça. O local abriga dois tachos funcionando simultaneamente, garantindo agilidade ao processo e mantendo a tradição viva. Para moer a cana, o engenho do saudoso Ambrósio Falchetto foi muito importante. O seu filho, Jones Falchetto, que faz parte da equipe, viabilizou essa etapa da produção.
Segundo Marcão, a produção média diária foi de três tachadas, consumindo cerca de 270 litros de caldo de cana por dia. Somando os preparos feitos antes e durante a Festa da Polenta, foram utilizados mais de 5 mil litros de caldo, o que dá a dimensão do empenho da equipe.
Açúcar, rapadura e afeto
Além do entusiasmo do público com a experiência de vivenciar o processo mágico de transformação do caldo de cana em açúcar, o sucesso dos produtos oferecidos pelo Rancho do Açúcar pode também ser medido pelos números. Foram comercializados 215 quilos de açúcar, 463 unidades de pé de moleque, 321 litros de melado, 245 rapaduras e 278 doces de mamão, coco e gengibre, a grande novidade das ofertas gastronômicas da equipe.
No primeiro fim de semana da Festa, quase todo o estoque preparado com antecedência se esgotou. O sucesso mobilizou novamente a equipe, que trabalhou firme entre segunda e quinta-feira da semana seguinte para repor os produtos.
A resposta do público foi tão expressiva que, enquanto no primeiro fim de semana da Festa da Polenta foram feitas quatro tachadas (duas por dia), no segundo a produção mais que dobrou: dez tachadas no total (sendo quatro no sábado e seis no domingo), com os voluntários começando os trabalhos às 6h da manhã.
Uma fábrica de memórias
Mais do que sabores, o Rancho do Açúcar desperta memórias afetivas. Muitos visitantes se emocionam ao ver o processo de transformação do caldo de cana em açúcar, que lembra cenas da infância na roça. Alguns fazem até chamadas de vídeo com pais e avós para compartilhar aquele momento.
“É comum ouvirmos que isso lembra os avós, o cheiro da infância. As pessoas se encantam e se emocionam”, conta Marcão. “Muitos perguntam se somos funcionários da Prefeitura, porque acham incrível ver tanta gente trabalhando voluntariamente. Dizem que, nas cidades deles, não tem mais esse tipo de dedicação”.
Esse reconhecimento aquece o coração de quem se doa, ano após ano, para manter essa tradição viva. O Rancho do Açúcar é, antes de tudo, um espaço de preservação cultural, onde cada tacho fervendo conta uma história e cada doce vendido carrega consigo um pedacinho da identidade de Venda Nova do Imigrante.






