
Saúde e excesso de peso
Noticiado esse ano o falecimento de uma ex-participante de programa de emagrecimento “Quilos Mortais”. Trata-se de um programa que busca reduzir drasticamente o peso dos participantes com atendimentos multiprofissionais. Esta participante, por exemplo, ao entrar no programa pesava 241 quilos, perdeu 12 quilos durante o programa, mas, meses depois, quando aconteceu o falecimento pesava 320 quilos.
Neste caso em específico, as informações publicadas destacavam que ela apresentava grande dificuldade em respirar e sofreu uma parada cardiorrespiratória, causa do óbito.
Diversos aspectos devem ser considerados quando uma pessoa está muito além do peso ideal. A obesidade possui diversos fatores causadores, mas em sua maioria reflete um hábito de vida com escolhas não saudáveis.
Alimentação desregrada e ultracalórica associada à baixa quantidade de atividade física diária são potencializadores para o desenvolvimento da obesidade. A obesidade é tratada hoje como uma doença inclusive com classificação pandêmica.
Nos dias atuais muito se fala sobre a *“gordofobia” que seriam ações preconceituosas contra pessoas obesas, e também se tem falado numa aceitação deste corpo fora dos padrões estéticos.
* Gordofobia é o preconceito e a discriminação contra pessoas gordas, que se manifesta em atitudes, falas, estigmas sociais e barreiras físicas e institucionais. Ela não se origina da obesidade em si, mas da forma como a sociedade a percebe, associando-a a falta de saúde, preguiça ou ao caráter, e pode levar à exclusão social, problemas de saúde mental e até dificultar o acesso a serviços básicos. A gordofobia é um problema estrutural que pode ser combatido com a desconstrução de estereótipos e a promoção do respeito à diversidade de corpo.
Respeitar escolhas das outras pessoas de forma empática é sempre o melhor caminho, mas é preciso ter também responsabilidade e informar sobre as dificuldades e malefícios que o excesso de peso vai ocasionar.
Para além dos padrões estéticos, o excesso de gordura corporal é sabidamente causador de diversas outras disfunções metabólicas que podem diminuir a expectativa de vida das pessoas. Diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias e síndrome metabólica são situações que irão surgir e são potentes em abreviar a vida das pessoas.
E o processo de emagrecimento precisa ser pensado para além do aspecto físico apenas para satisfazer padrões estéticos. Inclusive é necessário um acompanhamento psicológico também. Visto que modificar hábitos alimentares construídos ao longo de anos é a tarefa mais difícil deste processo.
Nosso organismo busca sempre o equilíbrio, pois assim as funções vitais serão preservadas. Assim, passar décadas num processo de vida desregrada, com excessos alimentares e pouca atividade física ocasionando o ganho exagerado de peso e querer reduzir, em poucas semanas, este excesso de peso parece ser atitude incoerente não é?
Um grande número de pesquisas está tentando mapear este tipo de comportamento e há um consenso entre eles: o histórico de perda de peso muito brusca tornará o processo de emagrecimento cada vez mais difícil. Além disso, indícios apontam que entrar nesse ciclo “emagrece demais” e “reganha o peso novamente” aumenta as chances de desenvolver doenças relacionadas ao controle de açúcar no sangue, especificamente o diabetes.
SAARNI (2006) e STYNCHAR (2009) comprovaram que pessoas que passavam por perda de peso bruscas ao longo da vida apresentavam maior dificuldade em manter-se dentro de padrões ideais de saúde no fim da vida. “Quanto mais peso tentamos perder ao longo da vida, mais econômico se torna nosso metabolismo, e menos calorias passamos a gastar em situações de repouso” (DEL VECCHIO, 2019).
Perdas de peso devem ser pensados de maneira crônica e para que sejam sustentadas, o tratamento imediatista, com perdas abruptas de peso, não é o aconselhado.
Dudu Altoé
Personal Trainer
CREF.: 002126-G/ES
Especialista em treinamento físico para grupos especiais





