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Festa do Socol: o trabalho voluntário como herança familiar

Festa do Socol: o trabalho voluntário como herança familiar

O evento nasceu a partir da iniciativa dos saudosos Vânio e Danilo Falqueto e de Alvécio e Ângelo Falqueto

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 “Servir é muito prazeroso”, se recorda Evandro Falqueto das falas de Vânio Falqueto, seu saudoso pai. Ele, como atual vice-presidente, atua ao lado do primo, o presidente Hiago Falqueto, na organização central da Festa do Socol, promovida sempre no mês de maio em Alto Bananeiras. 

A dupla, que representa a segunda geração de líderes, vê no trabalho voluntário a única forma de promover a Festa do Socol e assim fortalecer esse ícone da gastronomia de Venda Nova e que, de forma especial, ganhou notoriedade a partir do movimento daquela comunidade.

Hiago, com 30 anos, e Evandro, com 33, são colaboradores da Festa do Socol desde quando tinham seis e nove anos, respectivamente. Eles acompanhavam os pais Alvécio e Vânio Falqueto, que juntos com o outro irmão Danilo Falqueto e com Angelim Falchetto, fundaram o evento.

Alto Bananeiras é uma comunidade pequena que até poucos anos atrás era formada majoritariamente por colonos ou meeiros. Os proprietários, a maioria de Bananeiras, ajudavam na organização da igreja e foram vendo seus filhos passarem a morar nessa parte alta e ao mesmo tempo tão próxima da sede de Venda Nova.

O socol, uma iguaria que originalmente era feita com a carne do pescoço do porco, é uma receita que passou pelas gerações e, que no caso da família Falqueto, foi passada pelo bisavô materno, o Fioravante Caliman. 

Vivendo sempre rodeados de pessoas, Alvécio reunia os irmãos para produzir socol e convidava os amigos para apreciar. Dessas reuniões e da cabeça do quarteto Vânio, Alvécio, Danilo e Angelim nasceu a ideia de fazer uma festa especialmente para reverenciar esse embutido cru, que é curtido pelos temperos. A primeira Festa do Socol foi então promovida em 2001.

Hiago e Evandro nasceram e cresceram nesse meio festivo e colaborativo. Assim como assumiram os trabalhos na propriedade também herdaram o compromisso de manter a Festa do Socol, um evento que acontece tocado por voluntários.

Na cozinha, nos caixas, no balcão, nos leilões e sorteios, a Festa é promovida graças a essa força. “Metade dos voluntários é de moradores e a outra é formada por pessoas da sede e de diferentes comunidades de Venda Nova”, ressalta Hiago.

Evandro observa que geralmente são as pessoas que dão continuidade ao que sempre fizeram nas edições anteriores, com alguns ajustes, sendo que grande parte dos voluntários está presente em outros eventos do município, atuando da mesma forma. “São 24 horas de festa, somando o tempo dos dois dias de programação”.

Casado e pai de um casal de filhos, Evandro sonha em revezar a liderança. Seria interessante ter mais duas pessoas, assim poderíamos ficar cada um à frente da Festa num espaço de quatro anos.  Ambos reconhecem a riqueza de contar com a experiência dos voluntários envolvidos em outros eventos e de os coordenadores serem da comunidade.

Um dos grandes desafios enfrentados por essa diretoria jovem da Festa do Socol foi o distanciamento social exigido durante a crise sanitária do novo coronavírus. Época que aproveitou para melhorar a estrutura física do local do evento.

 Apesar de jovens, Hiago e Evandro têm muita experiência e conhecem a fundo a cultura local, principalmente no que se refere à produção de alimentos. Ambos são agricultores e vivenciam na rotina familiar o preparo das iguarias como as que são vendidas durante a Festa do Socol.

O preparo das produções destinadas à Festa obedece a outra rotina. Três ou quatro meses antes, Alvécio recebe um grupo de voluntários em sua casa para produzir juntos as peças de socol e a linguiça gigante, objeto da bolsa de apostas, uma das atrações do evento.

Como toda boa festividade, a Festa do Socol exige trabalho anterior na parte de produção e contratações, muitas tomadas de decisões e trabalho nas vésperas, nos dias e no pós-evento. Acima de tudo, o entusiasmo e o compromisso da comunidade são primordiais.

Desde 2019, a Festa do Socol entrega 10% do lucro líquido para a Apae e outros 10% para a Associação de Voluntárias Pró-Hospital Padre Máximo.  Os outros 80% ficam no caixa para promover o evento do próximo ano e fazer melhorias na estrutura física do espaço da Festa.

Hiago e Evandro entendem que entregar recursos para as outras entidades é muito importante e os deixa muito satisfeitos. No entanto, a dupla ressalta que é preciso estar alerta à necessidade de continuidade do evento, tomando medidas para valorizar os patrocinadores, envolver as crianças e beneficiar a comunidade.

“Fazemos camisas alusivas ao evento também para os filhos dos voluntários, entregamos as bebidas quentes que sobram para o grupo de jovens promover sua festa junina. São pequenas ações que, somadas às grandes transformações que promovemos no evento e no espaço físico da Festa, fazem a diferença”.

 

Juliana Falchetto  e mais cinco ou seis pessoas começam a trabalhar sexta-feira de manhã na cozinha da Festa do Socol no preparo dos recheios dos pastéis. No sábado e no domingo o número de voluntários envolvidos na cozinha aumenta, pois, a festa já começou.

Juliana ainda não contou, mas acredita que são mais ou menos umas quarenta pessoas envolvidas, sendo que várias delas trabalham nos três dias, em turnos que se dividem em dia e noite. Apesar de nunca ter parado para reparar, ela acha que a idade dos voluntários da cozinha varia de 40 a  45 anos.

Dentro da equipe da cozinha tem as subequipes que fritam e que cortam, a da polenta, a do macarrão, a do pastel (encher e fritar) e tem as pessoas encarregadas de entregar os pedidos às pessoas que preparam as porções.... Tem também os curingas, que se movimentam no setor que está precisando de ajuda.  

De acordo com Juliana, pelo que percebe no movimento da cozinha, o pastel de palmito com socol é uma das iguarias preferidas pelo público. “Mais também tem o macarrão, a polenta com molho, os tira gostos... Na verdade, tudo é bem apreciado”

A motivação de Juliana em a participar é porque ela colabora fazendo o que gosta e sabe fazer. “Uma festa com comida boa é tudo de bom.  É muito bom fazer as coisas com amor e esse é o melhor tempero. Eu penso que todos deveriam participar de trabalhos voluntários, pois isso só engrandece as pessoas e eu me sinto assim, agradecida por poder ajudar”.

 

Letícia Falqueto Silva é uma voluntária que atua na limpeza. Ela e mais cerca de oito pessoas se revezam na função de recolhem os lixos das mesas e separam os recicláveis. Esse trabalho visa deixar o ambiente limpo para que os visitantes ao chegar encontrem um lugar agradável e que possam se sentir à vontade.

“Sempre gostei de ajudar os outros principalmente quando o nosso aprendizado já vem de casa. Meus pais sempre se dispuseram a ajudar e a gente continua com esse aprendizado. Tento passar para minha filha, Izabeli, que já é voluntária aos 12 anos e ajuda também de alguma maneira”.

Letícia acredita que o exemplo dos mais velhos precisa ser seguido e ela gosta de ajudar, independente de qual evento. “Não somente na festa do socol, mais também atuo em outras festas como voluntária na intenção de não deixar acaba a cultura do nosso município, que é tão bonita”.

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