
Trail Clube Mata Atlântica- uma organização que surgiu a partir do enduro promovido dentro da programação da Festa da Polenta
Do Enduro da Polenta ao Polenta Off Road: trilheiros voluntários e apaixonados fizeram surgir um grande evento de esportes de aventura, que movimenta a economia de toda a região
Primeiro surgiu o Enduro da Polenta, a competição de motociclismo na modalidade de regularidade. Em 1989, Marco Camilo, um trilheiro de Vila Velha que frequentava Venda Nova, resolveu mobilizar os amigos para organizarem juntos uma competição no município.
A organização, que tinha à frente Vânio Cleto Caliman e Marco Camilo, contou com Marco Grillo, que na época fazia parte da coordenação da Festa da Polenta, para incluir o Enduro na programação do evento. Surgiu aí o Enduro da Polenta, com largada e chegada na escadaria do Colégio Salesiano.
A organização se mostrou eficiente e criativa e o evento esportivo encantou os que se aventuraram a participar, fosse como competidor, colaborador técnico ou como divulgador. Em abril de 1993 surge então o Trail Clube Mata Atlântica- TCMA, entidade reconhecida juridicamente para promover o já famoso Enduro da Polenta.
Todo trabalho de planejamento e de realização do evento nasceu e se mantém no voluntariado. Com uma organização que encanta os visitantes, os voluntários do Enduro da Polenta passaram a dar assistência em outras competições, inspirando e contribuindo para a evolução da modalidade em diferentes estados.
Com o crescimento da competição, o Enduro da Polenta saiu da programação da Festa da Polenta: teve uma experiência de ser promovido em fevereiro de 2002 e 2003 e, por conta das fortes chuvas, passou para maio a partir do ano seguinte.
Desde o ano 2015 o Enduro passou a ser uma das modalidades do evento esportivo, que a partir de então foi denominado Polenta Off Road. Mesmo com toda evolução tecnológica, quase 200 pessoas estão envolvidas nos trabalhos de promoção das competições que envolvem sete modalidades esportivas.
Os trabalhos da diretoria iniciam três meses antes, quando começam as reuniões presenciais entre seus membros e também com os coordenadores de equipes e com os diretores de cada modalidade. É interessante observar que, em alguns casos, um membro da diretoria acumula a função de coordenador ou de diretor de uma das modalidades.
Para que o evento ocorra dentro de um nível de organização, os trabalhos estão divididos entre as equipes de divulgação, inscrição, levantamento de trilha, captação de patrocínios e a Feira de Aventura, uma atração que envolve negócios e lazer e que funciona paralela ao evento.
“Cada um tem uma incumbência, mas todas as decisões são compartilhadas”, explica Vinycios Zavarize, atual presidente do TCMA. Carlos Minet, o Carlinhos, que já foi presidente, ressalta que apesar de a diretoria ter apenas quatro membros, pelo menos mais seis colaboradores (dentre eles ex-presidentes, como ele) mantêm o diálogo através de um grupo de WhatsApp. “Trocamos ideia, apresentamos sugestões e soluções, bem como tomamos decisões usando o aplicativo”.
O levantamento de trilha, por exemplo, é um trabalho de campo que persiste e que com o aumento de modalidades, precisa de rigor para que não haja conflito entre os competidores. Alguns trechos podem até ser em comum entre uma corrida e o enduro de regularidade, por exemplo. No entanto, o uso desse espaço deve estar sincronizado no tempo.
Toda programação é rigorosamente cronometrada: largada e premiação precisam acontecer exatamente no horário marcado para que o Polenta Off Road seja um evento funcional. A energia que circula no Centro de Eventos nos dias, e agora também à noite, impressiona pela diversidade. São pessoas de estados, idades e gostos esportivos variados, que fazem da competição um encontro cultural e uma boa oportunidade de negócio.
E a feira de Aventura, promovida nas duas últimas versões do Polenta, se tornou uma possibilidade de gerar renda para dar sustentabilidade ao evento. Na coordenação está Andreia Rosa, do Montanhas Capixabas Covention & Visitors Bureau, que é responsável por toda organização desse evento dentro do evento.
Essa diversidade de pessoas também merece um espetáculo cultural típico, que fica por conta da parceria com a Associação Festa da Polenta- Afepol. Afinal, o evento saiu de dentro da programação da Festa da Polenta, mas a Festa da Polenta continua no DNA do Polenta Off Road.
O tombo da polenta, a cantarola, as apresentações de dança, assim como a presença da Rainha e das princesas eleitas conferem mais identidade, numa demonstração de deferência às raízes da competição. A praça de alimentação também privilegia a riqueza gastronômica de Venda Nova e dá destaque para as inúmeras cervejarias locais.
Por todas essas particularidades, o Polenta Off Road é considerado um dos eventos esportivos mais organizado do Brasil. Por todo trabalho desenvolvido ser voluntário e pelos envolvidos terem que arranjar tempo livre para se dedicarem, a diretoria acredita que se concentrar em fazer um evento bem feito é o foco principal.
Na última edição, em maio deste ano, o Polenta atraiu 1.000 atletas de 13 estados diferentes, fazendo com que 8.500 pessoas passassem pelo Centro de Eventos naquele final de semana. Venda Nova foi notícia no Brasil inteiro, o que demonstra que o evento tem potencial para gerar mais recursos de um trabalho feito com tanta dedicação e competência.
Tanto para Vinycios quanto para Carlinhos, o TCMA não visa lucro, mas seria interessante potencializar o resultado financeiro e assim poder colaborar ainda mais com as instituições que apoia. Todo ano, a organização escolhe uma entidade para receber uma doação, que é parte do lucro líquido. O financeiro do evento deste ano estava em fase de fechamento quando esta reportagem foi finalizada. No ano passado, a Associação de Voluntárias Pró-Hospital Padre Máximo foi a agraciada.





