
O Voluntariado como forma de cooperativismo
Pessoas que trabalham sem remuneração e de forma organizada para apoiar outros projetos e ações em benefício da coletividade. Elas fazem parte de um movimento solidário que coopera para a promoção do bem-estar social
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No próximo dia 5 de julho de 2025, o mundo vai celebrar o Dia Internacional do Cooperativismo, uma data que reforça a importância das cooperativas na construção de uma economia mais sustentável, inclusiva e solidária.
Na edição de véspera de uma data tão importante vale perguntar afinal o que é o cooperativismo. Trata-se de um modelo econômico e social baseado na colaboração e na gestão, no qual um grupo de pessoas se une para atender às suas necessidades e aspirações comuns, por meio de uma empresa coletiva, a cooperativa?. Diferente de empresas tradicionais, onde o objetivo principal é o lucro dos sócios, nas cooperativas os próprios membros são donos e beneficiários do negócio.
E quando esse trabalho em comum é feito sem expectativa de recompensa financeira e em benefício da coletividade, qual nome se dá? O voluntariado é uma prática que visa contribuir para o bem-estar social e o progresso da sociedade, com o objetivo de promover o desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Essa atividade não remunerada, em que pessoas dedicam seu tempo e energia para ajudar outras ou causas, tem sido uma ferramenta importante de cooperação, principalmente a favor de iniciativas ou instituições que favorecem pessoas com necessidades especiais ou em situação de vulnerabilidade.
Já conhecido pela presença forte em Venda Nova, o voluntariado aparece em diferentes circunstância e formas de organização. A Festa da Polenta, um dos movimentos voluntários mais antigos do município oficialmente reconhecido, traz em sua base mais dois pilares, a cultura e a filantropia.
Em sua última versão, o evento mobilizou pelo menos 1.500 pessoas para a sua realização, que envolveu trabalhos antes, durante e depois. É um ciclo de trabalho que se abre assim que as contas são aprovadas e parte do lucro líquido é distribuído entre as instituições beneficiadas.
Festa da Polenta: iniciativas para atrair e formar novos voluntários
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Cerca de 10% do voluntariado são formados por pessoas que atuam diretamente na liderança, seja na diretoria, na coordenação das equipes ou mesmo como fieis colaboradores, que agem de forma pró-ativa em diferentes circunstâncias. Com um cadastro geral de voluntários, a Associação Festa da Polenta- Afepol conta com um quadro fixo desses auxiliares e com uma rotatividade pequena, em torno de 10%.
Para participar durante o evento, o candidato a voluntário tem 22 equipes com funções a serem ocupadas em diferentes escalas dos sete dias de festa. Se somados os grupos culturais, o número de equipes sobe para 27. A dificuldade percebida pela diretoria está em alocar voluntários para trabalhar nas noites de sábado, quando acontecem os shows com artistas nacionais. Nesta escala acontece um grande movimento nos bares e nos caixas
Apesar da lista de espera no cadastro e de a Festa contar com um time tão comprometido e encantado com a causa, a Afepol está de olho no futuro. “É preciso envolver cada vez mais os jovens, pois grande parte dos voluntários é formada por pessoas acima de 50 anos”, observa Tarcísio Caliman, presidente da Afepol.
Quem observa a movimentação da Festa da Polenta com um olhar mais atento vê a presença de adolescentes em diferentes equipes, principalmente nas duplas que atuam em meio ao grande público na venda de cafezinhos e doces feitos na Casa da Nonna. Eles circulam pela Festa trajados com roupas típicas e com uma bandeja de café e doces caseiros.
O Dei Bambini, o Coral Sol da Manhã e o grupo de dança I Primi Granelli são iniciativas que atraem crianças dos três aos 12 anos de idade. Todos são reconhecidos oficialmente como voluntário, com direito a crachá, camisa e participação na festa de confraternização. Como incentivo, as crianças que integram o Coral Sol da Manhã têm bolsa para estudar no curso de italiano oferecido pela Afepol.
Tarcísio fala desse esforço em dar visibilidade e valorizar a participação da criança como incentivo na formação de um time futuro de adultos comprometidos com a Festa da Polenta. “O evento está crescendo e, para sua continuidade, é necessário que os mais jovens se envolvam de forma ativa de modo que novos líderes surjam e tomem frente das principais ações de preparo e realização da Festa da Polenta”.
Para Tarcísio, além da necessidade de envolver as novas gerações, também é importante expandir o envolvimento das comunidades do interior do município. “Queremos as famílias como as do Alto Caxixe, São Roque e de São João, por exemplo, envolvidas em nossa programação”, disse ao exemplificar a recente adesão de várias delas no Desfile das Famílias, que é promovido em uma das manhãs de sábado da Festa.
Ao mirar esses dois públicos: crianças e famílias de comunidades além da Sede, a Afepol promoveu no ano passado pela primeira vez dois tombos da polenta, um no turno da manhã e outro no da tarde, especialmente para os alunos das redes pública e particular de Venda Nova. Cerca de 3 mil crianças passaram pelo Centro de Eventos no dia 18 de outubro, a segunda sexta-feira da programação festiva, assistiram ao espetáculo e degustaram a polenta com molho e queijo de forma gratuita.
Na ocasião, o presidente da Afepol declarou ter se inspirado nas ações relacionadas aos 150 anos da Imigração Italiana no Brasil programadas pelas escolas. Por ocasião dessas iniciativas, ele foi convidado para palestrar em algumas e, no bate papo com os alunos, percebeu que muitos deles nunca tinham visto um tombo da polenta.
Todas as escolas foram convidadas e todas compareceram e o sucesso da iniciativa fez com que fosse incluída novamente na programação da Festa da Polenta de 2025. “O entusiasmo das crianças foi contagiante, os professores demonstraram muita satisfação e nós, da Afepol, nos sentimos muito realizados. Foram mais de 2 mil quilos de polenta servidos com molho e queijo, totalizando 3.300 cumbucas. Este ano esperamos contar com a parceria da municipalidade em providenciar os ônibus para levar os estudantes ao Centro de Eventos”.
Dentro dessa proposta de inspirar novos voluntários e aproximar a comunidade da Festa da Polenta, na noite de quinta-feira da segunda semana da programação, um tombo da polenta é promovido especialmente para distribuição gratuita para os moradores que se fizerem presentes no Centro de Eventos. “É a nossa quinta-feira com a comunidade”, explica Tarcísio.
Tanto nos desfiles de sábado pela manhã, quanto nas noites de sexta-feira e na de quinta-feira, a comunidade tem a oportunidade de acessar ao Centro de Eventos de forma gratuita. “São formas que encontramos de a comunidade, mesmo que não atue diretamente como voluntária, participe e compreenda um pouco o que é a Festa da Polenta. Temos que multiplicar o número de pessoas dispostas a se doarem para o evento, pois grande parte do resultado se reverte para a comunidade”.
Com uma programação além dos dias da Festa da Polenta, a Afepol estendeu sua atuação por quase todo o calendário anual. Em algumas oportunidades, como nos “Tempos do Nunca Mais nas Ruas” e na Serenata Italiana, em maio e julho respectivamente, o bar é terceirizado para outras instituições. O bar dos Tempos do Nunca Mais este ano rendeu R$ 13 mil à Comunidade Mário Lorenção, que está fazendo melhorias na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora. Também estamos estendendo os convites para outras famílias que moram no interior para integrarem ao Desfile das Famílias”.
O envolvimento de um grande número de voluntários e o alcance da Festa da Polenta faz dela o evento que mais movimenta e distribui recursos e impacta a comunidade. Com o repasse de parte do resultado, a Afepol apoia outros movimentos-, como a Associação de Voluntárias Pró-Hospital Padre Máximo e Associação de Voluntárias da Apae- Avapae, que são multiplicadoras-, assim como apoia diretamente as instituições como Hospital e a Apae.
O impacto na comunidade se dá pela ajuda direta e indireta a várias instituições e também pelo movimento gerado na economia. Além de fazer compras e contratar serviços na praça, a Festa gera movimentação, principalmente no setor de hospedagem, restaurantes, postos de gasolina.
Uma das grandes preocupações apresentada pela atual diretoria, no entanto se dá no campo da cultura, pois se vê como grande mola propulsora da cultura do imigrante italiano. Ao apoiar os grupos locais de dança típica, os corais, a bandas e inúmeras atrações dentro da Festa- do Paiol do Nonno ao Tombo da Polenta, o evento mantém vivos vários aspectos da vida das famílias de imigrantes italianos.
“Mesmo que a cultura que dá identidade à Festa seja do imigrante italiano, estamos abrindo para participação de toda a comunidade. A Festa da Polenta é uma festa do povo vendanovense, agora formado também por novos imigrantes”, reforça Tarcísio.
Caliman e toda a diretoria são unânimes em afirmar a preocupação em fomentar o voluntariado nas novas gerações, promover o interesse pelo idioma e enaltecer todos os aspectos dessa cultura rica e que ajudou tanto a formar a identidade da Festa e também do município. “Estamos trabalhando para manter as crianças e os jovens envolvidos ao mesmo tempo que valorizamos o que os mais velhos têm a oferecer. Tudo é importante para o crescimento da Festa e de nossa cultura, principalmente da cultura do voluntariado e solidariedade”.
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