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Venda Nova conta com 14 ceramistas

Venda Nova conta com 14 ceramistas

Durante seis meses, o curso ensinou diferentes técnicas, promoveu uma exposição e entregou uma produção coletiva diversificada

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Seja como um hobby, uma forma de terapia ou como fonte de renda, 14 mulheres de Venda Nova estão preparadas para exercer a atividade de ceramista. Esta é a constatação da professora Daíze Eugênia Coimbra, de Santa Tereza, que durante seis meses frequentou o município para ministrar um curso e promover um movimento que resulta na criação de um coletivo.

Com aulas teóricas e práticas ministrada num casarão antigo em Lavrinhas, alunas e instrutora se encontraram uma vez por semana, com uma carga de quatro horas diárias de aula. Além das atividades presenciais, todas desenvolveram tarefas em casa, visando o progresso na produção de peças e o aproveitamento do curso.

Promovido com o patrocínio do Sicoob Sul-Serrano, através do Fundo de Desenvolvimento Regional, o curso revelou verdadeiros talentos, como pode ser comprovado na exposição de Natal, ocasião que as alunas produziram diferentes presépios para exposição nas agências da Cooperativa de Crédito. As peças expostas durante o evento da conclusão do curso também evidenciaram o talento e o desenvolvimento técnico das alunas.

Solenidade

Durante a solenidade de encerramento, a professora falou do bom desempenho das alunas, da forma pela qual elas passaram pelo processo e da liberdade que o artista tem quanto domina a técnica. “É preciso aprender a técnica até para utilizar como atividade relaxante, desenvolver uma produção ou mesmo se lançar como professor... Vocês cumpriram a trajetória com louvor... É um ofício novo e vocês são protagonistas a partir de agora. Vocês são ceramistas!”, disse Daíze ao se dirigir às alunas.

Para que o curso fosse promovido, Glória de Assis Fernandes Luck, que conheceu Daíze em Santa Tereza, contou com o apoio de sua filha Bárbara Luck para mobilizar as pessoas em Venda Nova. Bárbara envolveu alguns amigos: Alexandra Ferreira Curty Minete, Rosemeire Aquino Falqueto e Renato Magnago e, se juntou ao grupo, Lícia Caliman e Rita de Cássia Pereira Magnago, formando com Glória Luck uma verdadeira equipe organizadora.

Diante da necessidade de uma entidade para conseguir receber o recurso do Sicoob, Renato conversou com o Instituo Jutta Batista da Silva- IJBS para intermediar o projeto, se colocando à disposição para receber e gerenciar os recursos. Magnago, que é diretor administrativo e financeiro do IJBS, participou da solenidade e não escondeu o orgulho de a entidade ter ajudado a viabilizar o projeto.

Magnago disse que o projeto precisava de uma entidade para ser intermediária entre o Sicoob e o curso. Ele explicou que o 'Coletivo Vem da Terra' está se organizando juridicamente para fazer a gestão de novos cursos, comercialização de peças e outras atividades.

A criação do ‘Coletivo Vem da Terra’ faz parte das propostas do projeto desenvolvido pela professora Daíze. Ela atua no esforço de formar ceramistas que, além de aprenderem a atividade, se organizem em forma de entidade. No caso de Venda Nova, o nome nasceu entre as trocas de ideia entre os organizadores. “Pela sua robustez, o projeto é terapêutico, social e humano”, afirma Daíze.

Por intermédio de outra ceramista de Pedra Azul, Rosana Evangelidis, um fabricante de fornos de São Paulo doou ao Coletivo um forno usado, totalmente reformado. O equipamento possibilitará às alunas a queima de suas peças em Venda Nova.

* Professora desde Educação Infantil até Universidade, Daíze, é ceramista há nove anos, com vasta
experiência e formação relacionada à arte da cerâmica. Já fez várias exposições, palestras sobre o tema e participou de projetos relacionados.
 
Descobrindo habilidades

Vários depoimentos demonstraram o quanto o curso foi importante como revelador de habilidades. Elan Caliman fez um durante o encerramento do curso. Ela se reconhece como a aluna que chegou com menos habilidade. “Mas eu não desisti, pois queria aprender alguma coisa nova. Dia após dia, fui enfrentando desafios e evoluindo. Eu me senti bem acolhida, sempre recebendo palavras de incentivos. Estou realizada, pois foi muito produtivo. Estou muito grata ao Coletivo”.

Glória Luchi, uma das organizadoras do curso, acabou se tornando aluna. “Ao ver o movimento tão de perto, acabei me envolvendo. Eu me vi sem habilidades e cheguei a me desesperar em alguns momentos. Pelo grau de dificuldade, eu não estava achando a experiência terapêutica. Aos poucos, me vi interagindo com a argila, e fui percebendo que algo estava mudando dentro de mim. Isso fez parte da evolução do processo”, disse sobre a intimidade construída.

Delma Altoé, uma artesã experiente, disse que fazer o curso foi um sonho realizado, pois sempre admirou o trabalho com argila e que aproveitou a oportunidade que teve. Ela aprendeu várias técnicas e considerou todas ótimas, no entanto confessa que a escultura no bloco a conquistou, como fazer peças do presépio e as bonecas. “Eu pretendo trabalhar produzindo bonecas e esculturas realistas. Existe um universo imenso na produção de bonecas e, assim como faço as de pano, pretendo estudar mais e aperfeiçoar essa arte na cerâmica”.

 

Futuro

Antes mesmo da finalização do processo do Coletivo, uma parceria com o Senac Venda Nova e o Sicoob garante a abertura de novas turmas. Existe uma lista de candidatos a alunos dos cursos que serão promovidos no espaço do Senac. “Foi muito importante contar com a colaboração da Rosemeire, que cedeu sua casa em Lavrinhas. Mas para continuidade da formação de novos ceramistas será fundamental ter um espaço mais centralizado e mais adequado às necessidades”, diz Alexandra.

 

O que é o Fundo de Desenvolvimento Regional do Sicoob

O Fundo de Desenvolvimento Regional foi criado em assembleia com o fundo de reservas da Covid. Com a crise sanitária foi aprovado, o direcionamento de parte das sobras do exercício de 2020. Como estes recursos não precisaram ser usados, ficou decidido também em assembleia que seriam destinados para aplicação em projetos de desenvolvimento nos municípios de atuação da Cooperativa.

A diretoria conversou com os delegados e a maioria entendeu que seria nobre destinar estes recursos para projetos de impacto positivo nas comunidades. São ações de desenvolvimento, treinamento e capacitação, voltados as mais diversas áreas, como saúde, educação, cultura, meio ambiente, com capacidade de impactar de forma positiva as comunidades. Para dar mais legitimidade ao uso dos recursos, os delegados estão sendo convidados pelo Conselho para sugerir projetos ou programas a serem apoiados.

Para Mayara Caus, diretora operacional do Sicoob, a formatura da primeira turma de ceramistas de Venda Nova representa um marco de grande valor para o município, ao integrar a cerâmica ao artesanato local. “Além de enriquecer nossa cultura, essa iniciativa abre novas oportunidades de geração de renda e promove o desenvolvimento sustentável. O Sicoob se orgulha em apoiar um projeto que, além de valorizar a arte, busca o bem-estar das pessoas, contribui para a qualidade de vida e fortalece os laços comunitários”.

Além de patrocinar o projeto, a diretoria do Sicoob fez encomendas de xícaras a serem produzidas pelas integrantes do ‘Coletivo Vem da Terra’. Serão peças a serem entregues como brindes em ocasiões de eventos formais da Cooperativa de Crédito.  “Quando essas xícaras forem entregues, o Sicoob estará entregando uma peça carregada de história e que representa um projeto social apoiado pela Cooperativa”, explica Mayara.

Ela acrescenta que o Sicoob tem como filosofia estar próximo à comunidade e aos seus movimentos sociais e de desenvolvimento. E é com essa mesma linha de pensamento que adquire os trabalhos feitos pelas Voluntárias Pró-Hospital Padre Máximo. “Sempre que tem que presentear uma autoridade, um palestrante ou visitante ilustre, o Sicoob encomenda as peças artesanais produzidas por elas. É uma forma de levar a mensagem de valorização dos movimentos locais”.

Fernanda Desteffano, funcionária do Sicoob que atua como Pessoa de   Apoio Estratégico- PAE,  acompanha de perto os projetos sociais apoiados pelo Sicoob e percebe com alegria o impacto desse apoio para as instituições e comunidades. “O projeto ‘Coletivo Vem da Terra’ trouxe inovação para Venda Nova, formando ceramistas capacitadas para seguir nesse ramo e empreender. Além disso, o projeto oferece outros benefícios, como o poder terapêutico da cerâmica e o desenvolvimento de habilidades pessoais, contribuindo para o crescimento individual e coletivo”.

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