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10 anos de Coffee Design - Farmers Coffee: cafés especiais da planta à xícara

10 anos de Coffee Design - Farmers Coffee: cafés especiais da planta à xícara

A empresa que surgiu a partir das vivências acadêmicas dentro do campus Ifes Venda Nova hoje está presente em todas as fases da cadeia produtiva do café

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Dério Brioschi, Luiz Henrique Pimenta e João Paulo Marcate, filhos de produtores rurais e egressos do Ifes de Venda Nova do Imigrante, uniram a tradição secular familiar de produzir café com o conhecimento e a ciência que desenvolveram nas salas de aula, para fundar a BMP Farmers Coffee. Começaram como uma consultora de cafés especiais, selecionando os melhores grãos capixabas para um cliente específico de exportação e hoje estão em todas as áreas da cadeia: plantando, selecionando, beneficiando, preparando, torrando e embalando cafés especiais das Montanhas do Espírito Santo.

Em 2019 foi feita a primeira exportação e a partir de lá os caminhos só se expandiram. No mesmo ano, Dério recebeu a oportunidade de trabalhar em uma torrefação nos Estados Unidos. Daqui do Brasil Phelipe “assumiu as rédeas do negócio” e foi promovido a sócio. Os quatro rapazes comemoram cada pequena vitória e hoje celebram a BMP Agro, que é composta por Dério, Luiz Henrique, João Paulo, Phelipe e Luiz Ricardo Pimenta, o irmão mais novo do Luiz Henrique, técnico em agropecuária pela Escola Família Agrícola de Castelo.

“Trabalhamos para estar em todas as partes da cadeia produtiva e, como parte deste projeto, estamos começando a produzir o nosso próprio café em uma fazenda na Bahia e também somos sócios de uma empresa de torrefação em Belo Horizonte”. Dério conta que a integração de mais um sócio, o Luiz Ricardo, foi primordial uma vez que a expertise e conhecimento do jovem serão peça chave na produção de cafés canephora em Alcobaça, extremo sul da Bahia. 

A empresa que está sob o guarda-chuva da Farmers Coffee, que é composta pela fazenda de cultivo de café, a trader, o armazém e também a sociedade na torrefação e cafeteria.  A fazenda é o início da cadeia produtiva e, nesta fase, os sócios vão produzir dentro dos princípios da agricultura regenerativa. “Essa filosofia de cultivo prevê práticas culturais que visam regenerar o solo das áreas degradadas (como pastagens), recuperar nascentes, restabelecer APPs (áreas de proteção ambiental) e o manejo do solo de forma que diminua o uso de insumos sintéticos”, disse Dério sobre o cultivo de conilon especial que se inicia.

Ainda antes de chegar no trade do café, têm as atividades de benefício e rebenefício do grão (ou maquinação) com o preparo dos grãos para exportação ou venda no mercado nacional. Essa fase é feita em um armazém da empresa no Alto Caxixe. A estrutura foi pensada para trabalhar com os cafés especiais da região e consegue maquinar lotes a partir de 30 quilos tanto de arábica quanto de conilon, tudo sob o olhar meticuloso de Luiz Henrique, que faz a limpeza a cada lote.  Em seguida, vem o que o escritório da Farmers Coffee já faz bem, que é a trading, a maneira de negociar café que se concentra em uma relação direta entre produtor e comprador para melhorar a comunicação, a qualidade, a transparência e a sustentabilidade.

Avançando um pouco mais na cadeia está a empresa de torrefação, as vendas online e as quatro cafeterias em Minas Gerais, sob a marca Oop. A empresa é sócia do Oop, que torra e coloca os cafés 'que contam história' em embalagens especiais. Duas cafeterias estão em Belo Horizonte, sendo uma na Savassi (um dos endereços mais badalados da capital mineira) e a outra no Centro, e duas instalações pockets estão em Inhotim, uma galeria de arte que fica a céu aberto em Brumadinho, cidade próxima da capital mineira.

 

 Os primeiros bolsistas do Ifes

A Farmers Coffee e todas as iniciativas que a BMP Agro comportam são motivos de orgulho para os professores responsáveis pelo Coffee Design. O projeto dos alunos egressos do Ifes sempre é citado quando o assunto é mostrar os resultados dos projetos de extensão, em especial os que envolveram filhos de produtores de café nos laboratórios de pesquisa.

João Paulo Pereira Marcate, 27 anos, que é de Conceição do Castelo e entrou no Ifes em 2015, passou a integrar as pesquisas no segundo semestre de estudo como voluntário. Só mais adiante passou a ser bolsista remunerado, condição que manteve até o final da graduação, em 2019. Já os estudantes Dério e Luiz Henrique estudaram juntos a vida toda e cursaram o ensino médio no Ifes. Ao terminarem os estudos ficaram divididos. “Eu passei em medicina veterinária e havia feito minha matrícula, até que, após conversar muito com minha família e os professores do Ifes, senti que o meu destino era aqui, com o café especial. Com certeza foi uma das melhores decisões da minha vida”, conta Luiz Henrique, 27. Dério também tinha passado em engenharia mecânica em uma faculdade de Vitória e por não ter um documento específico acabou não iniciando naquela graduação. “Decidi apostar nas minhas origens e ficar perto da minha família, afinal, sou da quinta geração de produtores de cafés especiais e queria continuar com esse legado”.

Os dois então decidiram seguir no Ifes. Luiz Henrique foi o primeiro bolsista do Coffee Design sob a orientação do professor Lucas Louzada. Dério foi o segundo bolsista do projeto (que no primeiro momento dividia a bolsa com o Luiz Henrique) e João Paulo, o terceiro. “Naquela época nós nos dedicamos muito aos projetos e toda a nossa trajetória foi decisiva para formar quem somos hoje e para os caminhos que a Farmers Coffee está trilhando”, explica Luiz Henrique.

A amizade entre os três nasceu nos laboratórios de pesquisa do Coffee Design. E foi trabalhando em equipe que se tornaram amigos. “Conhecemos outros produtores, pessoas que vieram de outros países e nos deparamos com outras realidades. No entanto, até praticamente no final do curso, em 2019, não tínhamos em mente montar uma empresa de consultoria e comercialização de cafés especiais. Tudo surgiu de uma demanda”, explica João Paulo.

 

A BMP Farmers Coffee

Por intermédio do Ifes tiveram uma demanda de conilon especial e, como os jovens já estavam trabalhando com muitos produtores nos projetos de extensão, se propuseram a selecionar os grãos certos. O cliente então, fez um pedido maior, visto que a primeira entrega havia sido realizada brilhantemente. Nesse momento, os três enxergaram a oportunidade de montar uma empresa. Mas por onde começar? Três jovens sem dinheiro mas com muita experiência. “Tínhamos o conhecimento, mas precisávamos de um escritório e um armazém que conseguisse atender uma demanda de cafés especiais”, relembra Luiz Henrique. E a solução foi fazer um empréstimo. “O começo foi muito difícil, mas mantivemos a nossa fé. Hoje temos muitos projetos futuros e o plantio na fazenda, com certeza, mostra que estamos no caminho certo”.

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