Uma família que trabalha unida em Bela Aurora
Maria Luzia Fioreze e Francisco Brunelli e os filhos Willian e André tocam a propriedade trabalhando, planejando e usando o crédito como ferramenta para implantar inovações
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O casal Maria Luzia Fioreze e Francisco Celenir Brunelli, de Bela Aurora, está encantado com as primeiras colheitas de pimentões vermelho e amarelo, que renderam unidades graúdas e cores vibrantes. A hortaliça está agregada ao portfólio de produtos cultivados pela família graças ao investimento em uma grande estufa, que totaliza oito galpões.
Associada ao Sicoob, a família recorreu ao crédito para investir na estrutura e vê com otimismo mais uma fonte de renda surgir na propriedade. “São seis mil pés plantados no mês de fevereiro que em maio renderam a colheita dos primeiros frutos”, disse Maria Luzia para explicar a ausência de pimentões maduros no dia da reportagem.
A compra de um trator, equipado com lâmina, batedeira e carroça, também está entre os investimentos que a família fez via o crédito no Sicoob. Os benefícios com a compra do equipamento vêm das suas múltiplas funções e do que gera de agilidade nos trabalhos que exigem força.
Francisco exemplifica, contanto que eles passaram a poder bater o feijão e que ficou mais fácil e rápido puxar o café na roça, pois transporta mais quantidade de sacas. “O trator traz 70 sacas por viagem, o que corresponde a pelo menos quatro viagens de tobata, como fazíamos antes. A tobata, além de ser mais lenta tem menos capacidade”.
O trator, com a lâminas, também possibilita melhorias nos carreadores já existentes em meio à lavoura. Antes, a gente contratava o serviço e pagava por hora. Além de gastar um bom dinheiro, não podiam planejar o serviço da semana, pois dependiam da agenda dos prestadores de serviço. “A economia que estamos fazendo ajuda a pagar a prestação e ainda estamos ganhando tempo para cuidar de outras obrigações”, ressalta a matriarca.
E serviço é o que não falta em uma propriedade como a da família, que também cultiva feijão e mexerica. As cores vibrantes da fruta enfeitam a entrada da propriedade e, junto com as flores e com um lindo lago, dão uma pista do quanto eles são caprichosos e acolhedores.
Além de acolhedores, os membros da família são unidos. O casal tem dois filhos, sendo que o mais novo, o Willian, fez o empréstimo do trator em seu nome. Ainda solteiro, trabalha e planeja junto com os pais os próximos passos de sua vida e da propriedade. O mais velho, já casado, mora com a família a uns cem metros da casa dos pais.
“Temos um planejamento bom aqui em casa. Fazemos o empréstimo para realizar sonhos com a consciência que poderemos pagar, pois temos os pés no chão”, observa Maria Luzia.
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História
Maria Luzia fala como uma mãe que chegou na propriedade herdada dos pais já casada e com os filhos nos braços (Willian, com dois anos e André, com sete) e viu a família que passou a morar num barraco velho prosperar. “Tinha um pedaço de lavoura de café e todos nos colocamos a trabalhar, incluindo o André, que chegava da escola, almoçava e depois ia nos ajudar. Fomos agregando culturas e hoje temos, além do café, milho, feijão, fruta e verduras”.
Grande parte da produção da família é vendida para intermediários e há uma outra menor especialmente cultivada para ser comercializada na Feira da Agricultura Familiar, todas as sextas-feiras, em Venda Nova. “Participamos da feira há 13 anos. Cultivo figo e vendo a fruta e o doce que faço. Também vendemos hortaliças, feijão e frutas da época. Tenho que registrar que aprendi a fazer este doce com Rita Zanúncio, na época que atuava no Incaper. Ela me ensinou muito, principalmente que, no mesmo lugar, podemos criar muitas possibilidades alimentares”.
Maria Luzia vê na feira uma ótima oportunidade e um grande incentivo para a diversificação na propriedade, pois dá saída para os produtos antes sem poder de comercialização. A variedade de cultivos gera renda semanalmente com a feira e também muito trabalho na propriedade, como já foi dito. E o grande trunfo para ela está na união familiar, pois todos se empenham para dar conta do recado.
O envolvimento da força jovem dos filhos é fundamental, tanto para o presente quanto para o futuro das atividades lá desenvolvidas. Como os filhos estudaram na Escola Família Agrícola em Castelo, no sistema de alternância, nunca perderam o contato com a rotina familiar enquanto se qualificavam tecnicamente.
“Mesmo meu filho mais velho, que trabalha em uma loja agrícola em Venda Nova, se mantém ligado às atividades. Ele trabalha na propriedade aos sábados, domingos e feriados”, conta Maria Luzia.
Para manter a autonomia de todos, os rendimentos das produções são divididos em três partes (uma para cada filho e outra para os pais) depois de separada a parte para pagar os insumos para o próximo cultivo.
Associados
Essa consciência em partilha de obrigações e bônus faz parte dos segredos que mantêm a harmonia familiar. Essa maneira de encarar a vida fez os olhos alcançar os benefícios e o bem-estar de participar de uma cooperativa.
“Nós mesmos procuramos o Sicoob, pois a maioria dos moradores de Bela Aurora já era associada. Eu já ouvia falar bem e o bom relacionamento e facilidade de negociação demonstraram logo que todos estavam certos”, concordam o casal.
E o casal repete o que outros produtores já disseram: “o pessoal do Sicoob conhece a gente”. E eles lembram que os filhos sempre quiseram comprar um trator novo. “Nós nos unimos e fizemos uma sociedade familiar e cada um pagar uma parte da parcela, mesmo que o empréstimo tenha sido feito no nome de Wilian’’.
Eles se lembram que a funcionária Beatriz Fabre de Melo orientou a família no projeto via Pronaf para a compra do trator. “Fizemos outros empréstimos, como para a compra de um veículo, e temos que enaltecer o empenho dos funcionários do Sicoob em facilitar todo o processo, pois não basta ter dinheiro disponível, temos que preparar toda burocracia para ter acesso”.
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