Pimenta em região fria, um empreendimento que cresce em Alto Jucu
Para Júlio Cezar Barbosa, a relação com os gerentes está em primeiro lugar e o bom uso dos aplicativos o mantém mais próximo de sua linha de produção
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Surpreende a quantidade de pimenta acondicionada em bombonas ou envasadas em potes e garrafas no galpão do Sítio Boa Esperança, de Júlio Cezar Barbosa, localizado em Alto Jucu, Domingos Martins. Uma equipe de 10 colaboradores dá conta de selecionar os melhores exemplares da especiaria, que vão para os toneis de vinagre, onde ficam durante 15 dias fermentando antes de serem envasados.
As pimentas, tipo malagueta e biquinho, são oriundas de plantios na própria propriedade e na de terceiros. De acordo com Júlio Cezar, são 84 parceiros que produzem e vendem sua produção para ele, que depois de beneficiar e envasar, abastece as principais marcas do Estado e até de outras partes do país.
Chegamos na propriedade na entressafra e, por esta razão, o colorido das especiarias se limitou às colheitas dos parceiros. Além de nos surpreender com o grande volume de pimenta, em diferentes tipos de embalagens, o produtor e empresário nos mostrou seus investimentos em estrutura, na qual se destaca os alojamentos.
Localizado a uma altitude 1.080 metros, no lugar predomina o frio, o que exige um ambiente capaz de acolher com proteção os trabalhadores. Mas o que mais surpreende quem visita o lugar é ver como uma cultura típica do calor tenha se adaptado tão bem às baixas temperaturas.
Júlio Cezar traz experiência do Norte do Estado, onde mantém outro núcleo da atividade. No ano de 2012, ele decidiu deixar de lado a advocacia (seu escritório era em Vitória, onde ainda mantém uma de suas residências) e resolveu comprar um terreno na região. “Já comprei o sítio com esta finalidade e comecei a me organizar para começar a produzir. As plantas se adaptaram bem e, como a propriedade só contava com uma casa, o próximo passo seria criar uma unidade de processamento”.
Em 2015 Júlio Cezar se associou ao Sicoob Venda Nova e a relação de proximidade lhe mostrou as possibilidades de estruturar a propriedade para começar a produzir. O primeiro investimento de Júlio Cezar via crédito no Sicoob foi para a construção do galpão onde é feito o processamento das pimentas. A maior volume fica neste espaço, sendo que grande parte acondicionada em bombonas de 200 quilos.
Júlio conta que conseguiu cumprir o processo burocrático em cinco meses e, em menos de 30 dias, os recursos já estavam liberados. Durante esses seis meses ele cuidou da cultura e as pimentas estavam no ponto de serem colhidas, coincidindo o início da montagem da estrutura, que foi rápida.
Na sequência, foram feitas a casa sede e uma casa para abrigar os parceiros. Estão em andamento a construção de um alojamento, com capacidade para 30 pessoas, sendo que algumas unidades funcionarão como apartamentos completos com cozinha, sala, banheiro e dois quartos para facilitar a moradia até dos trabalhadores com suas famílias.
A maioria das vagas do alojamento será destinada aos trabalhadores a serem contratados para a colheita do café plantado há um ano e meio. É que Júlio Cezar viu potencial em produzir café de qualidade dada a altitude de 1.080 metros da propriedade
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Volume de pimenta
Só no Sítio Boa Esperança são produzidas uma média de 40 toneladas de pimenta, com plantios divididos em vários núcleos de dois a três hectares. São ilhas em meio à vegetação nativa que totalizam 70 mil pés plantados.
Além das marcas de pimenta, a propriedade também abastece as indústrias de ração de passarinho, de injeção para diabético, de gás de pimenta, dentre outros produtos. “Também vendo para empresas de exportação e não tenho ideia para onde no mundo esta pimenta vai”, diz sobre o alcance de sua produção.
Para conquistar as grandes marcas e outros territórios, Júlio Cezar reconhece que as relações locais são fundamentais para manter a qualidade e constância do produto a ser oferecido ao mercado. “Invisto no conforto dos trabalhadores e também dou importância às minhas parcerias e o Sicoob está no centro delas. Enalteço o nome da gerente Renata Satler, que foi transferida para a agência Pedra Azul, para onde transferi também minha conta”.
Por enquanto, um dos filhos de Júlio Cézar cuida da parte financeira da empresa, mesmo que ele faça pessoalmente as conversações com os agentes financeiros. “Tenho dois filhos: um já é médico e este logo vai se formar. Vou ter que me habituar a cuidar dos números sozinho, bem como usar melhor as tecnologias que o Sicoob oferece, como o atendimento online. Sei que vão ter paciência comigo e vou dominar os aplicativos para poder continuar a passar mais tempo no campo do que na cidade. Porque viver na roça é o que eu gosto”.
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